
Se depender da Defesa Civil de Minas Gerais, os moradores de Bento Rodrigues, em Mariana, não retornarão às suas casas. O subdistrito foi duramente atingido pelos rejeitos de minério de ferro das barragens da empresa Samarco que se romperam.
Na terça-feira, o coordenador da Defesa Civil de Minas, coronel Helberth Figueiró de Lourdes, afirmou que, mesmo após encerradas as buscas por vítimas na região, recomendará que ninguém volte para o distrito.
- Há quatro ou cinco metros de lama compacta em Bento Rodrigues. Mesmo se houver condições de os moradores voltarem, vou sugerir que isso não aconteça - comentou.
Para o coronel, o mais importante no momento é saber como a empresa se posicionará em relação à indenização que será dada às famílias que perderam suas casas.
- É preciso saber se receberão dinheiro, se serão adquiridas moradias em outros locais - disse.
Na segunda-feira, o Ministério Público em Mariana informou que pedirá à Justiça que determine o pagamento imediato de um salário mínimo por família atingida, por tempo indeterminado.
Bento Rodrigues - que, na verdade, é um subdistrito de Camargos, esse sim, distrito de Mariana - tinha aproximadamente 600 habitantes antes da tragédia. O vilarejo nasceu no século 18, no início da exploração de ouro que tinha Ouro Preto como principal centro. Se a recomendação da Defesa Civil for seguida, a localidade morrerá com a busca pelo minério de ferro.
A Mina da Alegria, nome dado ao complexo do qual faziam parte as duas barragens que ruíram, começou a ser explorada em 1992. O complexo tem reservas estimadas em 400 milhões de toneladas de minério de ferro. São retirados atualmente da mina 10 milhões de toneladas do metal por ano.