Prorrogação do pedido

"Mais 90 dias, no mínimo", diz Schirmer sobre a Força Nacional de Segurança no RS

Governo do Estado vai solicitar à União a permanência dos agentes de elite na Capital por pelo menos três meses

Por: Mauricio Tonetto
18/10/2016 - 18h24min | Atualizada em 19/10/2016 - 07h47min
"Mais 90 dias, no mínimo", diz Schirmer sobre a Força Nacional de Segurança no RS Júlio Cordeiro/Agencia RBS
Agentes de elite desembarcaram em Porto Alegre no dia 28 de agosto Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul vai pedir ao Ministério da Justiça a permanência da Força Nacional de Segurança no Estado por pelo menos mais 90 dias, e também solicitará o deslocamento de mais agentes de elite — 136 desembarcaram em Porto Alegre no dia 28 de agosto. Em entrevista ao Pioneiro nesta terça-feira, o secretário Cezar Schirmer avaliou que o endurecimento do combate à criminalidade na Capital está tendo reflexos em outras regiões, como a Serra e o Litoral Norte.

Por isso, a presença da Força Nacional de Segurança é importante, segundo Schirmer, para liberar policiais para o trabalho ostensivo em cidades como Caxias do Sul, que registrou na última segunda-feira o assassinato de número 120 — próximo do recorde para um ano, que é de 134. Ainda não há data para o pedido formal, mas, conforme o secretário, já está aprovado pelo Piratini. Faltam somente detalhes técnicos para o envio a Brasília.

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— A prorrogação e ampliação estão decididas. Pediremos por mais, no mínimo, 90 dias. Posso afirmar que, em Porto Alegre, onde existe a presença da Operação Avante e da Força, os indicadores de homicídios, roubo de carros, latrocínios e assaltos a pedestres caíram substancialmente. Não posso dar os números ainda — disse o secretário.

De acordo com Cezar Schirmer, as quadrilhas estão fugindo da Capital e da Região Metropolitana, à medida que o policiamento ataca as áreas conflagradas. O primeiro destino escolhido pelos grupos teria sido o Litoral Norte. Por isso, a Operação Avante foi estendida para aquela região na última sexta-feira. Agora, a ideia é reforçar as equipes na Serra. Na última segunda-feira, seis pessoas foram assassinadas em Caxias do Sul — quatro de uma quadrilha suspeita de agir na Região Metropolitana.

— Essa é a guerra do tráfico. As facções são estaduais e estão gerando, em algumas cidades, o aumento no número de assassinatos. Examinamos agora uma Avante na Serra Gaúcha, devido ao incremento dos homicídios em Caxias — afirma Schirmer.

Lílian Cassini era comissária de bordo e morava no bairro Planalto, em Caxias do Sul  Foto: Facebook / Reprodução

As mortes mais recentes na cidade envolvem uma jovem que não teria qualquer envolvimento com o tráfico de drogas. Lílian Cassini (foto acima), 21 anos, foi baleada por volta das 22h30min de segunda-feira no bairro Planalto. Ela estava dentro de um carro com Jonas Almeida de Mello, 26 anos, também executado — ele era suspeito de ligação com bandidos. 

As vítimas, conforme a Polícia Civil, acabaram mortas em represália aos assassinatos de Priscila de Lima Boeira, 29 anos, e Stefani de Souza de Oliveira, 24 anos, no último sábado, no bairro Fátima. Para o delegado Rodrigo Kegler Duarte, não há dúvidas de que se tratam de execuções. O local onde aconteceu o crime, na Rua Antônio Benevenuto de Marchi, seria em frente à casa de Mello, o que endossa a tese de uma emboscada. 

— Se trata evidentemente de execução, até pelo armamento e pela forma como aconteceu — aponta Duarte.

Depois de alvejarem Lílian e Jonas com 40 disparos, os atiradores fugiram em um veículo HB20 branco e foram perseguidos pela Brigada Militar. Na fuga, rodaram pelos bairros Planalto, Diamantino, Cruzeiro, Bela Vista e Cristo Redentor. Encurralada na Vila Ipiranga, a quadrilha abandonou o carro na Rua João Pedrinho Pistorello e tentou escapar a pé. 

Em uma escadaria (fotos abaixo), Eduardo de Jesus, 19 anos, Eduardo Mascarello, 23 anos, Rodrigo Pavan, 34 anos, e Robson de Souza Nunes, 30 anos, terminaram abatidos. Anderson Lima de Miranda, 34 anos, sobreviveu porque usava um colete à prova de balas.


 
 
 
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