Crise no Espírito Santo

Ministros garantem que base do governo Temer não apoiará anistia de PMs 

Raul Jungmann fez apelo às mulheres de policiais para que "não levem seus maridos a uma armadilha" e revejam bloqueios em batalhões

Por: Guilherme Mazui - Vitória (ES)
11/02/2017 - 17h06min | Atualizada em 11/02/2017 - 17h14min
Ministros garantem que base do governo Temer não apoiará anistia de PMs  Fred Loureiro/Secom-ES
Ministro da Defesa integrou comitiva de autoridades que foi a Vitória tentar resolver a paralisação de policiais Foto: Fred Loureiro / Secom-ES  

Depois de uma reunião com autoridades do Espírito Santo, na tarde deste sábado, em Vitória (ES), a comitiva de ministros enviada pelo presidente Michel Temer elevou o tom diante da negativa dos policiais militares de voltarem às ruas, ignorando acordo firmado pelo governo capixaba com as associações de PMs. 

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A Polícia Federal vai investigar o movimento, e o Palácio do Planalto promete mobilizar sua base parlamentar para não aprovar uma eventual anistia aos grevistas.

- Aqueles que por ventura imaginam que terão qualquer tipo de iniciativa na linha de anistia no Congresso Nacional, de obter uma anistia para os amotinados, eu quero deixar claro de que não haverá a menor possibilidade de apoio da base política do presidente Michel Temer. Existem movimentações iludindo pessoas que estão em greve como se fosse acontecer uma greve sem nenhum tipo de penalização - afirmou o ministro da Secretaria de Governo da Presidência, Antonio Imbassahy.

O recado atinge diretamente os 703 policiais que já foram indiciados por revolta, que podem ser presos e expulsos da corporação. Responsável pela articulação política do Planalto com o Congresso, Imbassahy foi um dos quatro ministros de Estado que passaram pela Grande Vitória. Raul Jungmann (Defesa), José Levi (Justiça) e o general Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) também participaram de uma reunião com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o governador licenciado do Espírito Santo, Paulo Hartung, e o governador em exercício Cesar Colnago.

O encontro discutiu alternativas para acelerar o final da greve e garantir a segurança na Grande Vitória. Na sexta-feira, o governo capixaba anunciou um acordo para encerrar a paralisação às 7h deste sábado, porém as esposas e filhas dos PMs mantiveram os acampamentos na frente dos batalhões. Os policiais tampouco voltaram às ruas. Governador em exercício, Cesar Colnago garantiu que o diálogo será retomado com a categoria.

Com o impasse, o governo federal garantiu por tempo indeterminado a presença das tropas federais no Estado até o final da greve, considerada um motim, que já dura uma semana. No momento, 3,1 mil homens das Forças Armadas e Força Nacional atuam nas ruas da região metropolitana.

Os ministros ainda acertaram com o governo local que as viaturas da PM poderão reabastecer nas unidades das Forças Armadas da Grande Vitória. Os próprios policiais que desejarem descansar também poderão usar os locais.
A comitiva federal voltou a criticar os PMs pela greve e suas esposas e filhas, que pedem reposição salarial e melhores condições de trabalho. Jungmann fez um apelo às mulheres.

- Não levem seus maridos para uma armadilha. O caminho é o da negociação. Outro caminho é um beco sem saída — disse Jungmann.

General do Exército, Sergio Etchegoyen classificou como "inaceitável" o movimento, repetindo o termo usado pelo presidente Michel Temer na sexta-feira. À frente do GSI, o general afirmou que a Agência Brasília de Inteligência (Abin) auxilia o governo capixaba e também observa eventuais greves da PM em outras regiões do país.

- Não temos outro Estado com a gravidade do Espírito Santo. Estamos monitorando a situação — disse.

O ministro em exercício da Justiça, José Levi, adiantou que a Polícia Federal investiga os policiais e suas famílias por eventuais crimes durante a greve. Já o procurador-geral Rodrigo Janot, por meio de nota, afirmou que estuda a possibilidade de postular a federalização de crimes como o de motim. Nestes casos, os PMs responderiam os processo na Justiça Militar da União.

- A tramitação é mais rápida e as punições costumam ser severas — explica Etchegoyen.

 
 
 
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