Crise na segurança

Homem é morto a tiros dentro de carro com criança de quatro anos na zona sul de Porto Alegre

Crime aconteceu no estacionamento do Zaffari da Avenida Cavalhada. Menina foi levada ao hospital com ferimentos 

20/10/2016 - 19h13min | Atualizada em 21/10/2016 - 07h31min
Homem é morto a tiros dentro de carro com criança de quatro anos na zona sul de Porto Alegre Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução / Facebook  

Nem a câmera de vigilância localizada a poucos metros intimidou o grupo que matou o empresário Marcelo Oliveira Dias, 44 anos, por volta das 18h desta quinta-feira, no estacionamento do supermercado Zaffari em Porto Alegre. Dentro do Peugeot branco estava também a filha de Dias, de quatro anos, que, mesmo baleada no pescoço, se abraçou ao pai até ser socorrida por populares. A criança foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) da Capital, onde permanecia em estado regular até as 23h30min. 

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Conforme o delegado João Cesar Nazário, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pelo menos três pessoas abordaram a vítima já dentro do veículo. Duas desceram de um Fiesta branco portando pistolas 9mm e dispararam de 12 a 15 vezes contra o carro. Oito balas teriam acertado Dias.

— Há características de execução. Os criminosos não se importaram em esconder o rosto, não se intimidaram com as câmeras e nem com o movimento — disse o delegado, ressaltando que o empresário, dono de uma academia, não tinha antecedentes criminais.

A polícia acredita que as câmeras de monitoramento do supermercado e do entorno do estabelecimento ajudarão a identificar os criminosos.

Havia grande fluxo de pessoas no estabelecimento localizado na Avenida Cavalhada no momento dos disparos. Conforme um funcionário, os clientes que estavam no pátio correram para o interior do prédio. Alguns funcionários subiram para o segundo andar na tentativa de se esconder.

— Eu estava no estacionamento e corri para dentro do mercado quando ouvi os tiros. Foram uns 20 disparos — lembra um funcionário.

— Fiquei em choque, estática. Não sabia para onde correr — conta uma pessoa que estava no estacionamento.

Dias era dono da academia Acquativa, na zona sul da Capital. Uma funcionária da academia contou à reportagem que ele esteve lá pela manhã. Depois, saiu para buscar a filha na escola. Ela disse também que o empresário não aparentava estar preocupado e que visitava o negócio todos os dias.

— Ele era tranquilo, bem tranquilo — resumiu.

O empresário tinha um sócio, também chamado Marcelo, com quem teria outra academia, na zona norte da cidade. Pouco depois que a funcionária recebeu a confirmação de que a vítima do crime era Dias, no fim da tarde, a academia foi fechada.

"Parecia uma pessoa superséria", diz frequentadora da academia

A jornalista Vanessa Pagliarini Gomes, 40 anos, cruzava frequentemente com Dias na academia. Por serem torcedores do Inter, quase sempre falavam sobre a situação da equipe e projeções para os próximos jogos.

— Conhecia ele pouco, mas parecia uma pessoa superséria. Era muito educado. Não entendo porque isso aconteceu. Os professores sempre falavam que era de bem com a vida.

Casado, Dias estava reformando a academia localizada na Avenida Juca Batista, na Zona Sul.

— A última vez que vi ele foi semana passada. Ele tinha ido em uma vidraçaria, se não me engano, para ver algumas coisas da reforma — lembra Vanessa.

 
 
 
 
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