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Morador de rua é assassinado na Praça da Matriz, no centro de Porto Alegre

Crime ocorreu em frente à Catedral Metropolitana, a poucos metros do Palácio Piratini, do Palácio da Justiça e da Assembleia Legislativa

20/03/2017 - 18h15min | Atualizada em 20/03/2017 - 21h20min
Morador de rua é assassinado na Praça da Matriz, no centro de Porto Alegre Anderson Fetter/Agencia RBS
Homicídio nas proximidades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS  

Diante da Catedral Metropolitana de Porto Alegre, duas idosas aguardavam a missa das 18h30min sentadas em um banco na Praça da Matriz. As conversas aleatórias foram interrompidas por estampidos de cinco tiros endereçados a um morador de rua. Paulo Ricardo Camargo de Oliveira, 36 anos, foi atingido no peito e morreu no local, a 1 metro da lona onde se abrigava. A execução à luz do dia ocorreu às 17h15min na frente da Assembleia Legislativa — onde pelo menos três eventos aconteciam simultaneamente — do Palácio Piratini e do Palácio da Justiça. Flagrada também por um representante comercial e um casal que contemplava o entardecer tomando chimarrão, a ação aconteceu sem a menor discrição.

— Eu estava passando e vi dois rapazes chegarem e atirarem cinco vezes. Depois, eles saíram correndo com arma em punho em direção ao Theatro São Pedro. Passaram no meio da praça. Havia crianças brincando, famílias se divertindo — contou um representante comercial de 41 anos.

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O crime ocorreu próximo à área infantil, onde crianças brincavam nos balanços. Um porteiro aproveitava a companhia da filha no momento da execução.

— Eu estava com ela no balanço, quando vi um rapaz que chegou e, simplesmente, sacou a arma e entrou na barraquinha do morador de rua. Eu só ouvi quatro estampidos. Foi o momento em que consegui pegar minha filha e sair correndo — disse.

Uma moradora da região descreveu Oliveira como sendo "gentil e cortês". Inclusive, abria a porta do carro para as pessoas. Frequentador da praça, um eletricista de 32 anos se diz assustado com a violência. Minutos após o crime, ele chegou ao espaço com o filho de seis anos.

— Aqui é o quintal da nossa casa. É um local onde há muito policiamento e isso não impede uma coisa dessas. O pior é que não há uma resposta do governo à altura — reclama.

"Era um grande desenhista"

Paulo Ricardo Camargo de Oliveira, 36 anos, foi atingido no peito e morreu no local Foto: Polícia Civil / Divulgação

Moradores de rua da região contam que Oliveira trabalhava como cuidador de carros e vendedor de jornal. Há três anos vivendo na praça, era considerado o mais inteligente do grupo que se abriga no entorno.

— Entendia sobre tudo. Não tinha assunto que ele não conhecesse. Também era um grande desenhista. Só que era muito brigão — comentou um jovem.

A Polícia Civil trata o caso como uma execução. A principal linha de investigação é acerto de contas em razão do tráfico de drogas, já que a vítima tinha passagem pela polícia por posse de entorpecentes. Conforme o delegado Cassiano Cabral, da 3ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Porto Alegre, apenas uma pessoa teria participado da ação. O criminoso atirou e correu para um carro que o esperava nas proximidades da praça. O modelo do veículo não foi informado para não atrapalhar a investigação.

— É um local bastante vigiado por câmeras de monitoramento. Então, vamos utilizar esse recurso para tentar identificar o atirador — disse Cabral. 

Com essa execução, Porto Alegre chega a 198 homicídios neste ano. No mesmo período do ano passado foram 196, conforme levantamento da editoria de Segurança dos jornais Zero Hora e Diário Gaúcho. 

 
 
 
 
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