Lava-Jato

Lula diz que operação da PF sobre Mantega poderia se chamar "boca de urna"

Petista criticou a forma como a Polícia Federal abordou o ex-ministro no Hospital Albert Einstein

Por: Estadão Conteúdo
22/09/2016 - 14h22min | Atualizada em 22/09/2016 - 15h18min
Lula diz que operação da PF sobre Mantega poderia se chamar "boca de urna" NELSON ALMEIDA/AFP
Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a prisão temporária de seu ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como um trabalho contra o Partido dos Trabalhadores na proximidade das eleições municipais. Em entrevista nesta quinta-feira, à Rádio Povo, em Fortaleza (CE), o petista criticou a forma como a Polícia Federal abordou Mantega no Hospital Albert Einstein e disse que a operação poderia se chamar "boca de urna".

— O que me preocupa na operação de hoje, eu não sei qual é o fundamento, é a notícia de que o ex-ministro Guido Mantega foi preso dentro da sala de cirurgia que a mulher dele estava se preparando para fazer — disse Lula, em entrevista dada às 11h, depois de Mantega ser levado à Polícia Federal em São Paulo e antes do juiz Sergio Moro mandar soltar o ex-ministro.

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Lula afirmou que Mantega "é um homem que foi ministro da Fazenda, que tem residência fixa, e portanto poderia ser tratado como todo ser humano tem que ser tratado". O ex-presidente da República também destacou que não é de acreditar em delações premiadas feitas por presos e pessoas ameaçadas pela Justiça.

Ao comentar que a investigação que prendeu Mantega se trata de uma ação contra o PT, Lula disse que a operação acontece perto das eleições assim como ocorreu em 2012, quando o partido atravessou um período de pleito municipal em meio ao julgamento do processo do Mensalão. 

— Está chegando perto das eleições e outra vez eles vêm para cima do PT — falou.

Denúncia

Comentando o acatamento da denúncia contra ele, sua esposa, Marisa Letícia, e mais seis pessoas pelo juiz Sergio Moro, há dois dias, Lula afirmou que se sentiu "muito ofendido pessoalmente" e pediu respeito ao magistrado. 

— Queria que ele me respeitasse como eu respeito ele e que não faça ilações a meu respeito — disse o petista.

Ele afirmou novamente ser vítima de um processo "equivocado" com viés político "muito forte".

Eleições de 2018

O ex-presidente Lula afirmou na mesma entrevista que "é cedo" para fala nas eleições presidenciais de 2018. 

— Mas acho que os meus adversários estão quase me empurrando para eu ser candidato. Se terminar assim, vão terminar votando em mim — declarou.

Lula disse que a Operação Lava-Jato não torna difícil o pedido de votos ao PT. Lula está desde a quarta-feira participando de campanhas eleitoral no Nordeste. 

— Está a mesma coisa pedir votos. Essas pessoas que não gostavam de mim ontem não gostam hoje.

O petista disse ter gravado participações em programas eleitoral e outros materiais de campanha para "mais de 400 cidades" nestas eleições.

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*Estadão Conteúdo

 
 
 
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