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Articulação do Judiciário impõe primeira derrota ao governo na Assembleia

Durante a discussão, quatro deputados denunciaram ter recebido ameaças de juízes para votar contrariamente a projeto que altera o cálculo dos valores repassados pelo Tesouro aos demais poderes

Fábio Schaffner

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Líder do governo, Gabriel Souza (centro) anunciou que Piratini irá ao STF para garantir mudança vetada pela Assembleia

No final dos quatro dias de votação do pacote de contenção de gastos do Estado, o governo colheu uma amarga derrota. Sem conseguir os 33 votos necessários para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional que altera o cálculo do duodécimo dos poderes, o Piratini viu frustradas suas expectativas de obter um ganho anual estimado em R$ 700 milhões. Quando o painel eletrônico da Assembleia Legislativa anunciou o resultado da votação, às 3h desta sexta-feira, 29 deputados haviam votado a favor da PEC 260, e 19 contra.

Pesou na derrota do governo a baixa adesão de PTB e PDT à medida – no PTB, três deputados se ausentaram enquanto, no PDT, um não estava presente e outros quatro votaram contra a proposta (veja como votou cada deputado).

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Com a derrota, o Piratini agora estuda recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa é inspirada em ação semelhante do governo do Rio. Derrotado em votação do mesmo projeto na Assembleia Legislativa fluminense, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) conseguiu reverter o insucesso no STF.

Também foi fundamental para a derrota do governo a pressão exercida por Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e Defensoria Pública. Desde quarta-feira, a cúpula das instituições circulava pelo salão Júlio de Castilhos, anexo ao plenário, pedindo aos deputados que rejeitassem a PEC. Uma emenda chegou a ser articulada com a bancada do PDT, colocando como piso para o duodécimo 90% da receita corrente líquida. A emenda recebeu o apoio de todas as bancadas de oposição, mas mesmo assim não havia 33 votos para aprovar o dispositivo.

Em meio à discussão, quatro deputados denunciaram ter recebido por telefone ameaças de juízes do Interior para votar contra o o governo. O deputado Edson Brum exibiu uma mensagem que dizia: "Estamos atentos, deputado, ao que passará com o nosso poder Judiciário a partir de hoje. O senhor quer contribuir como para essa história?".

Deputado Edson Brum (PMDB) mostrou mensagem que recebeu de pessoa que se identificou como juiz do trabalho

Com a rejeição da PEC, a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Silvana Covati (PP), encerrou a sessão e pôs fim aos trabalhos da Casa em 2016. Dos 26 projetos que integram o pacote do governo, foram votados 15. As demais propostas deverão ser apreciadas em convocação extraordinária prevista para o final de janeiro. O Piratini vai recorrer a essa medida para evitar que a votação do pacote seja concluída em fevereiro, quando a presidência da Assembleia estiver nas mãos do petista Edegar Pretto.

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