Política

Em entrevista a jornal, Dilma diz que não deixou Moreira Franco "roubar" em seu governo 

Após as declarações da petista, o ministro divulgou nota, nesta sexta-feira, para rebater a entrevista

Por: Estadão Conteúdo
17/03/2017 - 22h31min | Atualizada em 17/03/2017 - 22h31min

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou que impediu Moreira Franco (PMDB) de "roubar" quando o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência integrava o seu governo. Na ocasião, o peemedebista foi ministro da Aviação Civil e comandou a Secretaria de Assuntos Estratégicos.

"O Gato Angorá (Moreira Franco) tem uma bronca danada de mim porque eu não o deixei roubar (...). é literal isso: eu não deixei o Gato Angorá roubar na Secretaria de Aviação Civil", afirmou a ex-presidente ao Valor.

"Gato Angorá" era o apelido de Moreira nas tratativas com a Odebrecht, segundo a delação do ex-executivo da companhia Cláudio Melo Filho.

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Após as declarações da petista, o ministro divulgou nota, nesta sexta-feira, para rebater a entrevista de Dilma. Moreira chamou as acusações contra ele de "infundadas", insinuou que Dilma fez vista grossa ao esquema de corrupção na Petrobras e disse que o governo da petista deixou um legado de 12 milhões de desempregados.

Na nota, o ministro afirmou que o governo Dilma atraía empresas "amigas" e afastava investidores. "O nosso (governo) atraiu os maiores operadores estrangeiros de aeroportos. Só ontem (quinta-feira) arrecadamos mais de R$ 3 bilhões", escreveu ele.

O chefe da Secretaria-Geral da Presidência citou mais alguns pontos de diferença entre os dois governos, antes de mencionar o escândalo na Petrobras.

"Mas foi como presidente do Conselho de Administração da Petrobras e da República que ela (Dilma) se superou, dizendo não conhecer o saque feito à empresa. Isso diferencia corrupção de trabalho e competência", afirmou o ministro. 

"Certamente por isso eu não tenha ficado em seu governo."

Moreira também destacou o atraso na transposição do rio São Francisco durante a gestão petista e disse que, em seis anos, Dilma não conseguiu entregar as obras, enquanto o governo Michel Temer entregou "em seis meses".

Cabo de guerra

No ano que antecede as eleições presidenciais de 2018, o São Francisco virou um cabo de guerra entre o PMDB e o PT. Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumentam que as obras foram iniciadas no governo petista. 

Os dois visitarão o Eixo Leste da transposição no próximo domingo acompanhados do ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes (PDT), além de senadores e deputados do PT e de outros partidos de oposição.

*Estadão Conteúdo

 
 
 
 
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