Após delação da JBS

Partidos da base esperam divulgação de áudio para decidir se ficam no governo

Aliados afirmam que se ministros do PSDB entregarem os cargos, isso terá influência sobre os demais partidos

Por: Estadão Conteúdo
18/05/2017 - 14h43min | Atualizada em 18/05/2017 - 14h43min

Apesar da sinalização do PSDB de que deve desembarcar do governo Michel Temer, a maioria dos partidos da base aliada tem adotado o tom de cautela ao comentar as denúncias envolvendo o peemedebista. Líderes e dirigentes esperam a divulgação do áudio da gravação em que Temer apareceria apoiando a compra de silêncio de delatores da Lava-Jato para decidir se rompem ou não com o governo.

No caso do DEM, integrantes do partido dizem que a situação é mais "delicada" pelo fato de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ser o primeiro na linha sucessória e assumir a Presidência caso Temer seja afastado. Qualquer movimento poderia ser interpretado como oportunismo.

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Eles admitem, no entanto, que se tudo que já foi divulgado contra o presidente ficar confirmado, a situação ficará "insustentável". Também afirmam que, se os ministros do PSDB realmente entregarem os cargos, isso terá influência sobre os demais partidos da base.

PTB e PP também afirmaram que vão esperar os novos desdobramentos para decidir se permanecem na base aliada. 

— Eu não acho nada, preciso ver o vídeo — afirmou o líder do PTB na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).

No PR, o presidente nacional do partido, o ex-senador Antonio Carlos Rodrigues, defendeu a entrega imediata do Ministério dos Transportes. O titular da pasta, porém, o deputado licenciado Maurício Quintella (AL), foi contra. 

— O que se tem até o momento são especulações de uma delação. Vamos aguardar os fatos — afirmou.

Os dois ministros do PPS também avaliam deixar o governo. Nesta quinta, a bancada do partido na Câmara defendeu a renúncia de Temer e a convocação de eleições diretas para Presidência.

Presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP) afirmou que o partido ainda não tomou uma decisão, mas admite que a situação é grave. Para ele, a "saída mais honrosa" seria o Tribunal Superior Eleitoral cassar o mandato de Temer.

Já o presidente do PV, José Luiz Penna, lamentou a situação, mas disse que ainda teria uma conversa com o ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney, para decidir se o partido iria deixar a pasta.

Delação

Como parte da sua delação premiada, o empresário Joesley Batista, dono da JBS, gravou uma conversa com Temer em que contou que estava dando mesada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro para que ambos ficassem calados. Após ouvir o relato, o presidente teria dito: 

— Tem de manter isso, viu?.

Em sua delação premiada, o empresário afirmou que não foi Temer quem determinou o pagamento da mesada, mas que ele tinha pleno conhecimento da operação.

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*Estadão Conteúdo

 
 
 
 
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