Desvios

Cabral recebeu quase R$ 123 milhões em esquema de propina com empresas de ônibus do Rio, diz MPF 

Os repasses foram feitos pelo doleiro Álvaro José Novis durante sete anos

Por: Estadão Conteúdo
03/07/2017 - 14h40min | Atualizada em 03/07/2017 - 15h13min

As investigações do Ministério Público Federal (MPF) que levaram à deflagração da operação Ponto Final, nesta segunda-feira (3), revelaram que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) recebeu R$ 122,8 milhões em propinas de empresas de ônibus entre os anos de 2010 e 2016 — ele deixou o cargo, em favor de seu vice, Luiz Fernando Pezão (PMDB), em 2014. A Ponto Final decorre das investigações das operações Calicute e Eficiência.

O esquema alcançaria mais de R$ 260 milhões, pagos a políticos e agentes públicos. Três pessoas foram presas entre ontem e hoje: o empresário Jacob Barata, considerado "o rei do ônibus do Rio", o presidente da Federação das Empresas de Transportes do Estado, Lélis Teixeira, e o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), que fiscaliza o setor, Rogério Onofre. Segundo o MPF, "os pagamentos de propinas foram feitos nos moldes dos realizados pelas empreiteiras, só que dessa vez no setor de transporte público com o objetivo de garantir tarifas e contratos com o Governo do Estado do Rio".

Leia mais:
Advocacia-Geral da União pede a Moro provas de improbidade de Cabral
Esquema liderado por Cabral "era dez vezes maior", diz doleiro
Ministério Público do Rio diz ter encontrado excesso de antidepressivos em cela de Cabral

Rogério Onofre, enquanto presidente do Detro, recebeu R$ 44 milhões em propinas pagas pelas empresas de ônibus, diz o MPF. Os valores eram recolhidos nas empresas de ônibus. 

"Para o MPF, o esquema de corrupção encontra-se organizado a partir de quatro núcleos básicos: núcleo econômico, formado pelos executivos das empresas organizadas em cartel; o núcleo administrativo, composto por gestores públicos do governo do Estado, os quais solicitaram/receberam propinas; núcleo operacional cuja principal função era promover a lavagem de dinheiro desviado; núcleo político, integrado pelo líder da organização Sergio Cabral", diz nota do MPF. 

A Polícia Federal (PF) se baseou em delações premiadas do doleiro Álvaro Novis e do ex-presidente do Tribunal de Contas do Rio Jonas Lopes, alvos de operações anteriores. A operação Ponto Final é uma parceria entre a PF e o MPF com a participação de 80 agentes. Segundo a Polícia Federal, já foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio nove mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 30 mandados de busca e apreensão.



 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.