Humberto Trezzi

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Camburão, o novo presídio

Por falta de vagas nas prisões os policiais se obrigam a deixar presos dentro de viaguras, amontoados

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O repórter-fotográfico Ronaldo Bernardi, de Zero Hora, flagrou na manhã desta quinta a nova modalidade de presídio do Rio Grande do Sul, o camburão. Presos são amontoados na traseira de viaturas policiais e ali ficam, ao sol, enquanto aguardam vaga no xadrez da Polícia Civil. Aliás, o próprio cárcere policial deveria ser apenas usado por algumas horas, enquanto o flagrante do criminoso é lavrado. Mas tem se transformado em moradia de presos por dias a fio, uma ilegalidade.

O uso de camburões policiais como prisão é apenas mais uma aberração no cotidiano de carências da segurança pública gaúcha. São vários os motivos, a começar pela superlotação das penitenciárias. O Presídio Central de Porto Alegre guardava na quarta-feira mais de 4 mil apenados e ameaça bater seu próprio recorde de lotação, algo que costuma acontecer ao longo das décadas.

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Defensores dos direitos humanos e advogados têm sugerido uma saída para a superlotação: que crimes leves ou de menor potencial ofensivo (como tráfico) não sejam punidos com encarceramento. Ou que, pelo menos, não sejam prioridade na hora de prender. É razoável. O problema é que está faltando vaga até para crimes graves.

Veja o vídeo feito pelo colega Ronaldo.

Todos os que aguardam, presos, no camburão foram flagrados com arma, em assaltos. Isso, convenhamos, é grave o suficiente para justificar encarceramento. E a lei prevê. Não é possível libertarem ladrões e homicidas sob justificativa de falta de vagas prisionais. É injusto com a comunidade. É ilegítimo. Existe razão melhor para inaugurar novos presídios?


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