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De peão a patrão do tráfico: quem é Paulo Seco

Criminoso trabalhou como atravessador para alguns dos maiores traficantes do país

11/08/2017 - 17h18min | Atualizada em 11/08/2017 - 18h13min
De peão a patrão do tráfico: quem é Paulo Seco Interpol / Divulgação/Divulgação
Paulo Seco ficou quase uma década foragido e foi preso pela última vez no Uruguai, em 2010, antes da captura quinta-feira Foto: Interpol / Divulgação / Divulgação  

Ninguém conhecia José Paulo Vieira de Mello pelo nome. O apelido era Paulo Seco, por sua magreza. Mecânico em Passo Fundo e tradicionalista, entortou na vida ao se relacionar com Nei Machado, o Pitoco, patrão de CTG e, nas horas vagas, traficante. Os dois vendiam carros usados no Planalto Médio, norte gaúcho.

Isso foi nos anos 1990, quando Machado começou a usar seus conhecimentos para contrabandear cocaína e maconha desde o Paraguai. A droga era lançada de avião em lavouras do Rio Grande do Sul. Foi numa dessas que Pitoco acabou preso pela primeira vez. Foram várias prisões, seguidas de libertações condicionais.

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Paulo Seco escapou e se tornou o braço de Pitoco no vaivém com os paraguaios. Virou matuto, apelido pelo qual são conhecidos os atravessadores da droga: não plantam, não vendem, apenas carregam a mercadoria de um país ao outro.

De peão, Paulo Seco virou patrão em 2001, quando Pitoco sofreu a grande derrota de sua vida: foi preso nas selvas da Colômbia, num acampamento da guerrilha Farc, junto com o maior traficante brasileiro, o carioca Fernandinho Beira-Mar. Os dois vendiam armas aos guerrilheiros e, em troca, traziam cocaína para o Brasil, em aviões.

A prisão de Pitoco e Fernandinho na Colômbia deixou Paulo Seco como líder. Desde então, ele foi condenado três vezes: em 2007, por tráfico (quatro anos de reclusão), em 2007 de novo, por associação para o tráfico (três anos de reclusão) e em 2014, por tráfico (seis anos de reclusão). A sua ligação em Porto Alegre era com um conhecido traficante, Juraci da Silva, o Jura do Campo da Tuca (hoje preso).

Estava refugiado no Uruguai quando foi preso por policiais daquele país, em julho de 2010. No mesmo mês foi transferido para o Brasil, onde cumpriu pena até abril de 2016, quando ganhou liberdade condicional. Estava solto. Até esta quinta-feira, quando topou com um grupo de PMs honestos, que recusaram R$ 1 milhão de suborno - mesmo com seus salários parcelados. Um dia a casa cai, inclusive a de traficantes sortudos.

 
 
 
 
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