Rodrigo Lopes

Rodrigo Lopes

Formado em Jornalismo pela UFRGS, tem mestrado em Ciência da Comunicação pela Unisinos e especialização em Jornalismo Ambiental pelo International Institute for Journalism (Berlim), em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário, e em Estudos Estratégicos Internacionais pela UFRGS. Tem dois livros publicados. Como enviado do Grupo RBS, realizou mais de 30 coberturas internacionais. Foi correspondente em Brasília e, atualmente, escreve sobre política nacional e internacional.

Retrocesso

O desmonte da era Obama

Presidente dos Estados Unidos decidiu rever acordo com Cuba

Rodrigo Lopes

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A decisão do presidente Donald Trump de rever o acordo de reaproximação entre EUA e Cuba é o mais recente ato do desmonte dos avanços alinhavados nos oito anos do governo de Barack Obama. Depois da saída do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, o gesto desta sexta-feira (16) é o retrocesso mais duro no campo da diplomacia americana em anos. Entre as medidas, a Casa Branca dificultará viagens de americanos a Cuba (só uma por ano), proibirá a ampliação de rotas de companhias aéreas e marítimas e restringirá gastos em dólares de cidadãos na ilha.

O argumento de Trump é de que a abertura, anunciada no histórico 17 de dezembro de 2014, só tem beneficiado o regime dos irmãos Castro e não a população cubana. Oficialmente, o discurso é de que os EUA exigirão contrapartidas no campo dos direitos humanos em troca de abertura. Ironicamente, não se vê a mesma linha-dura com a Arábia Saudita, onde um sorridente Trump, em viagem recente, abraçou fervorosamente a dinastia dos Saud, uma das mais longevas ditaduras do Oriente Médio, e de lá voltou com a mala cheia de US$ 110 bilhões em contratos para a venda de armas.

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O anúncio feito na Flórida é simbólico e contraditório ao mesmo tempo. Lá, vive a maior comunidade cubana do país, uma população que, historicamente, vota em peso nos republicanos – e foi decisiva para a vitória de Trump em novembro passado no Estado, um dos definidores da eleição. Ao mesmo tempo, esses filhos e netos de cubanos veem, de forma geral, com bons olhos a reaproximação com a Ilha, pelo ponto de vista econômico e, principalmente, familiar. O ranço ideológico está restrito aos mais velhos.

Dos dois lados do Mar do Caribe, a reaproximação melhorou a vida das pessoas. Nos EUA, empresas como Airbnb, Google e dezenas de outras investiram milhões de olho no mercado que se abriu. Em Cuba, milhões de cidadãos se beneficiaram do crescimento nos setores de hotelaria, restaurantes, telecomunicações e desenvolvimento de software.

Dificilmente, Trump – aliás, um empresário bilionário – conseguirá frear a marcha do capitalismo em Cuba. Voos e cruzeiros de empresas americanas já estão a pleno vapor rumando para a Ilha. E a proibição de que americanos gastem seus dólares em estabelecimentos do Estado cubano é impossível de controlar. Praticamente tudo em Cuba é estatal, por enquanto, inclusive os melhores hotéis e restaurantes adorados pelos turistas.

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