Transporte público

Empresas de ônibus da Capital vão pedir revisão de contrato 

Consórcios alegam prejuízo de R$ 40 milhões devido à queda na arrecadação; prefeitura adiou ingresso de 24 novos ônibus na frota 

05/09/2016 - 14h45min | Atualizada em 05/09/2016 - 14h52min
Empresas de ônibus da Capital vão pedir revisão de contrato  Felipe Martini/Agencia RBS
Foto: Felipe Martini / Agencia RBS

Seis meses após ter entrado em vigor os novos contratos do transporte coletivo de Porto Alegre, as empresas de ônibus dizem contabilizar um prejuízo acumulado de R$ 40 milhões. Um dos motivos para a queda na arrecadação seria o número menor de passageiros transportados que pagam passagem — houve redução de 7,35% no período. O problema também estaria afetando a Carris, com R$ 12 milhões de prejuízo nos últimos seis meses. As informações são da Rádio Gaúcha.

— Acabou a fonte de recursos. Nós estamos com 35% de isenção no sistema. A cada três pessoas transportadas, uma não paga. Cada um que paga a tarifa, paga R$ 1 a mais para outra pessoa andar de graça — afirma o diretor e executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), Gustavo  Simionovschi.

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Desde o mês passado, os consórcios estão protocolando notificações administrativas junto à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) requerendo o reequilíbrio do contrato de concessão, seguindo os trâmites estabelecidos pelo edital. Segundo as empresas, pelos gastos atuais, a passagem deveria custar R$ 4,20 em Porto Alegre. 

Diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari reconhece o problema. Porém, garante que não haverá antecipação no aumento do valor da passagem e que nenhuma das 424 linhas será eliminada.

— Nós não vamos tomar medidas de retirar linhas de operação. Isso não será feito. Nós não vamos trabalhar com extinção de linhas, por exemplo. Tem um boato na cidade dizendo que isso ocorreria. Estou garantindo que isso nós não faremos. Faremos algum sistema de integração de algumas linhas. Realmente, há algumas linhas extremamente deficitárias operando. Nós vamos manter o atendimento do transporte para o usuário — garante Cappellari.

A EPTC já trabalha na readequação das operações. Uma das medidas foi a retirada de 21 ônibus de todo sistema. A intenção é reduzir a quilometragem percorrida, o que traria uma economia às empresas. Também foi adiada a integração de 24 novos ônibus na atual frota. Pela previsão anterior, eles deveriam ser incorporados até o fim do ano. Agora, isso só deve ocorrer a partir de 2017.

Entre as propostas sugeridas pelos consórcios estão a redução de 10% das viagens com poucos passageiros; suspensão do repasse da taxa de gestão de 3% sobre a receita do sistema para a EPTC; não permitir a concessão de novas isenções para usuários com idade entre 60 e 65 anos; retornar o desconto de 50% para a integração; limitar o uso de isentos em horários de picos; priorizar a criação de vias exclusivas para o transporte coletivo em avenidas com três ou mais pistas e definir linhas de financiamento para pagamento de isenções, tais como área azul, taxa para combustíveis ou até pedágio urbano, entre outros.

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