De novo

Dmae ainda busca explicação para água com cheiro e gosto na Capital

Órgão parte do relato de moradores para colher amostras e identificar a origem do problema, mas garante que o líquido é potável em Porto Alegre

Por: Guilherme Justino
27/02/2017 - 19h29min | Atualizada em 27/02/2017 - 20h01min
Dmae ainda busca explicação para água com cheiro e gosto na Capital Mateus Bruxel/Agencia RBS
Moradora do bairro Santo Antônio, Noeli Cavaleiro diz que tem sentido dores estomacais e evitado tomar água da torneira Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS  

E a água com cheiro e gosto voltou a incomodar os porto-alegrenses. Comum em praticamente todos os verões nos últimos anos, quando tempo seco e calor contribuem para aumentar a proliferação de algas no Guaíba, o líquido — que deveria, claro, ser insípido, incolor e inodoro — voltou a ter cheiro de terra e sabor de barro, conforme relato de moradores. Há até quem perceba uma mudança na coloração.

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Desta vez, porém, o problema não parece ter relação com algas no Guaíba. Pelo menos é o que aponta o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae). Enquanto analisa os relatos da população, o órgão ainda não tem uma explicação para o indesejável e tão constante fenômeno, mas garante que a água em toda a cidade continua potável. O diretor-geral interino do Dmae, Rafael Zaneti, afirma que fez a limpeza de 10 locais da rede nesta segunda-feira, mas que não foi encontrado nenhum aspecto que apontasse para as causas do problema relatado pela população.

— A água que está sendo distribuída hoje em Porto Alegre está dentro do padrão de potabilidade, mesmo que se perceba algum gosto ou odor. A equipe do Dmae está na rua, fazendo coletas para identificar o que está acontecendo. Não identificamos uma causa para isso, mas ainda não podemos falar em florações de algas — disse Zaneti, em entrevista ao Gaúcha Repórter.

Em nota, o órgão afirmou que "essas alterações podem estar relacionadas ao período de verão e de estiagem, o que altera as condições do Lago Guaíba".

Houve registro do problema principalmente nos bairros São Geraldo, Petrópolis, Higienópolis, Cidade Baixa, Rubem Berta, Partenon, Bela Vista e Jardim Ipiranga, conforme relatos de moradores colhidos pela reportagem de Zero Hora e Rádio Gaúcha. O Dmae não chegou a divulgar uma lista de locais afetados, mas orienta a população a informar a prefeitura pelo telefone 156 para que possam ser tomadas providências, como coleta de amostras, a fim de identificar as causas das alterações na água.

Moradores relatam enjoos e evitam beber água

Convivendo com o problema desde, pelo menos, a última quinta-feira, moradores de Porto Alegre têm associado o gosto e o cheiro na água a problemas estomacais, enjoos e até vômitos. Moradora do bairro Santo Antônio, a dona de casa Noeli Cavaleiro, 66 anos, afirma que tem sentido dores no estômago e que passou a evitar beber o líquido da torneira.

— Todo ano é assim. Essa água horrível, com gosto de barro, que nos faz mal. Meu filho também não tem se sentido bem por causa disso. E a gente não pode passar o tempo todo comprando água mineral — relata Noeli.

O professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Dieter Wartchow constatou as alterações na água em casa. Ele aponta que há diversas possibilidades para o problema, como dificuldades operacionais nas estações de tratamento da Capital e insuficiência de produtos químicos necessários para mitigar a sensação de cheiro e sabor na água. Ele lembra ainda de fatores como as condições climáticas — que há anos são apontadas como causa principal de mudanças no líquido — e até o despejo irregular de resíduos industriais, uma das possíveis explicações para o problema semelhante registrado por cerca de dois meses em meados do ano passado.

— São episódios cíclicos, que têm ocorrido com mais frequência no verão. Só uma ação preventiva eficaz do Dmae pode diminuir o risco de ocorrência desse tipo de fenômeno — diz Wartchow.

Apesar de não identificar razão para alarde em relação ao cheiro e ao gosto da água, o diretor-geral interino do Dmae recomenda que a população evite consumir água quando houver mudança na cor, o que poderia indicar um líquido impróprio para consumo.

* Zero Hora e Rádio Gaúcha

 
 
 
 
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