Transporte

Tarifa de ônibus será definida após revisão de gratuidades, diz prefeito

No evento PG Pergunta, Nelson Marchezan disse que população poderá consultar o peso dos benefícios no preço da passagem e votar se deseja retirar ou manter isenções

Por: Guilherme Justino
07/02/2017 - 18h56min | Atualizada em 07/02/2017 - 19h31min
Tarifa de ônibus será definida após revisão de gratuidades, diz prefeito Tadeu Vilani/Agencia RBS
Prefeito disse que 13% dos passageiros da Capital utilizam o recurso da segunda passagem gratuita Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

Benefícios como a segunda passagem gratuita — dentro do período de 30 minutos — e a gratuidade das viagens para idosos estarão no centro da discussão sobre o valor das tarifas de ônibus na Capital.

Nesta terça-feira, o prefeito Nelson Marchezan disse que 13% dos passageiros utilizam o benefício da segunda passagem grátis. E anunciou o lançamento de um site onde a população poderá conferir qual é o impacto de cada gratuidade na tarifa, que hoje está em R$ 3,75. Assim, o cidadão poderia dizer, por exemplo, se acha válido o fim da isenção na segunda passagem caso isso se reflita em uma queda significativa de valores.

— A gente tem hoje 13% dos usuários que utilizam a segunda passagem. Destes, 64% usam através do VT (vale-transporte), e quem paga é o empresário. Então 4% dos usuários têm que pagar do seu bolso a segunda passagem — explicou Marchezan.

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O objetivo, segundo o prefeito, é fazer com que a população escolha suas prioridades e sinalize à prefeitura sobre o que manter nos itens que compõem a tarifa. Na noite de terça-feira, técnicos do município ainda faziam os últimos testes na ferramenta.

— A ideia é transparência. Se a gente tiver um número de votos que passem o que Porto Alegre acha, vai ficar muito mais fácil nossa decisão — afirmou.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários da cidade, Adair da Silva, alerta que o lançamento do portal pode ser feito de maneira precipitada, porque os valores atuais não contemplam o pedido de reajuste da categoria, que ainda está sendo discutido com as empresas.

— O preço da passagem tem que levar em conta a necessidade de aumento salarial dos trabalhadores do transporte público. Parece que o prefeito está esquecendo disso — diz o representante de motoristas e cobradores.

Apesar de elogiar o fato de que a gestão da bilhetagem eletrônica passou para a prefeitura na atual gestão — deixando de ficar concentrada na Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP) —, a líder da oposição na Câmara de Vereadores, Fernanda Melchionna (Psol), avalia que não se pode voltar atrás nesse benefícios.

— Parece uma jogada ensaiada para tirar direitos conquistados pela população. Não deveríamos estar discutindo isso, mas o que está de fato errado na questão do transporte, como a legislação e a necessidade de melhorias no serviço — avalia a vereadora.

Por enquanto, a prefeitura não tem uma data prevista para reunir as opiniões dos cidadãos sobre a tarifa e apresentar um novo preço à população.

— Tenho certeza de que com os comentários, as sugestões, as críticas, a convicção do governo vai ser mudada até o momento de fixar a passagem — alertou Marchezan.

Para ATP, isenções devem ser discutidas

As empresas de ônibus dão boas-vindas à discussão sobre isenções — pleito comum a cada revisão das tarifas. Segundo a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), sem a revisão, não há como baixar o valor da passagem.

— O número de passageiros cai ano a ano, mas o preço das passagens não segue no mesmo ritmo e os benefícios nunca são modificados. Tem idoso com aposentadoria de R$ 20 mil que não paga, porque não precisa, o valor da tarifa. Isso tem de ser discutido — diz o assessor jurídico da ATP, Alceu Machado.

Para ele, há urgência nessa definição porque as empresas estariam arcando com mais custos do que deveriam, sem qualquer contrapartida do poder público. O vereador João Carlos Nedel (PP) também acha que as isenções devem ser discutidas. Aos 75 anos, ele afirma que isenções como de idosos atingem a todos.

— Qualquer retirada de benefício traz um desgaste, mas precisamos rever essas questões. De repente, garantir a isenção apenas a pessoas de baixa renda — afirma o vereador.

* Zero Hora

 
 
 
 
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