Rede Solidária

Site reúne pedidos para doação a abrigos com crianças vítimas de violência em Porto Alegre

Plataforma criada pelo Ministério Público tem por objetivo aproximar pessoas que querem realizar contribuições a necessidades dos abrigados

Por: Fernanda da Costa
30/03/2017 - 15h39min | Atualizada em 30/03/2017 - 17h46min
Site reúne pedidos para doação a abrigos com crianças vítimas de violência em Porto Alegre Mateus Bruxel/Agencia RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS  

Muitos em situação precária, os abrigos que acolhem crianças vítimas de violência em Porto Alegre necessitam constantemente de doações. Embora seja quase unânime a demanda por produtos de higiene e roupas, algumas dessas casas precisam de itens que atendam especificamente o desejo dos abrigados, como um skate ou um secador de cabelos.

Para aproximar as necessidades dessas residências e de seus moradores daquelas pessoas que querem realizar doações e não sabem o que doar, o Ministério Público criou um projeto chamado Rede Solidária. A iniciativa consiste em reunir, em uma página dentro do site do órgão, uma lista com os nomes dos abrigos, o bairro onde está localizado, o número de abrigados que atende e os itens que gostariam de receber. A plataforma também traz os números para contato com as casas e o nome dos coordenadores dos locais.

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Os contatos são importantes para que os doadores possam combinar com os responsáveis pelos abrigos como e quando realizar as doações. As contas bancárias dos abrigos também estão no site, para quem quiser doar quantias em dinheiro — elas podem ser deduzidas do imposto de renda.

A promotora de Justiça responsável pela fiscalização das casas, Cinara Vianna Dutra Braga, afirma que a ideia do projeto é beneficiar os acolhidos e dar visibilidade aos locais, para que eles sejam cada vez mais integrados às comunidades. Por isso, o MP optou por divulgar os bairros onde os abrigos são localizados, para que os moradores das proximidades possam se interessar em ajudar.

— A ideia é fazer o meio campo entre as pessoas interessadas em doar e as necessidades das casas e dos acolhidos. Além disso, os doadores podem ter a segurança de estarem doando para entidades fiscalizadas pelo MP — afirma a promotora.

O site entrou no ar no final de 2016 e será atualizado conforme os itens solicitados forem recebidos pelas casas ou novas necessidades de doações surjam: enquanto casas com bebês precisam de fraldas, abrigos com crianças em idade escolar necessitam de materiais escolares, por exemplo.

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Chuteira, aparelho de MP3 e bijuterias estão entre os pedidos

Pela plataforma, é possível descobrir, por exemplo, que no abrigo Sabiá 1, mantido pela Fundação de Assistência Social (Fasc), há pelo menos uma criança ou adolescente que deseja ganhar uma chuteira número 36. Já no Sabiá 3, também mantido pela Fasc, alguém gostaria de receber um aparelho de MP3. No Sabiá 5, o desejo é por instrumentos musicais.

Há também quem deseje ganhar bonés, bijuterias e até chocolates. Materiais pedagógicos, livros, jogos e brinquedos são solicitados pela maioria das casas. Vales para atividades culturais, como cinema, teatro e shows, também estão entre os principais pedidos.

Nas listas, há itens para a casa, como móveis, TVs, computadores e videogames. No Sabiá 7, entre as solicitações está uma panela de pressão de 15 litros. Já a Casa Menino Jesus de Praga, que atende crianças e adolescentes com deficiência, a necessidade é por fraldas geriátricas e medicamentos.

— A ideia é ampliar a plataforma para outras áreas, como idosos, com o cadastro dos asilos. Hospitais filantrópicos, ONGs de proteção ambiental e ONGs de proteção aos animais são exemplos de entidades que podemos incluir na plataforma. Mas a rede só vai funcionar se as pessoas acessarem, por isso colocamos um banner na capa do site — explica Cinara.

Suzana Vicente, coordenadora da ONG SOS Casas de Acolhida, que atende atualmente 25 crianças de zero a quatro anos, afirma que a iniciativa do MP é vista como uma oportunidade pelos abrigos, que em sua maioria vivem graças a doações.

— Nós temos um convênio com a prefeitura, então recebemos um valor mensal por criança atendida. Só que isso não supre nossas necessidades, porque os leites especiais, que damos para os bebês de zero a seis meses, e as fraldas são itens muito caros — afirma.

Pelo site, além de leite e fraldas, a casa coordenada por Suzana também pede alimentos, material de higiene e limpeza e materiais escolares.

— É o que mais precisamos, mas também aceitamos doações de roupas, brinquedos e jogos pedagógicos — completou.


 
 
 
 
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