Fofura

Tartarugas nascem em centro para idosos em Porto Alegre e fazem a alegria de vovôs e vovós 

Vivências do Sul Centro Dia Sênior serviu como berçário para os bichinhos, que viraram mascotes do local

Por: Bárbara Müller
24/04/2017 - 20h45min | Atualizada em 25/04/2017 - 11h10min

Uma dúzia de tartaruguinhas virou o xodó dos 12 idosos que frequentam o Vivências do Sul Centro Dia Sênior, na zona sul de Porto Alegre. A quantidade é mera coincidência, mas o nascimento dos bichinhos — que aconteceu no dia 17 — era aguardado pelas vovós e pelos vovôs desde o início do ano, quando encontraram uma tartaruga atravessando a Avenida Guaíba. O pátio do centro de atividades para idosos foi a terra firme escolhida pela mãe para o depósito dos ovos.

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

— Nós trouxemos a tartaruga para dentro do pátio para ver se ela estava machucada. Até estranhamos quando deixamos o portão aberto e ela não saiu. Fomos entender o que estava acontecendo quando vimos o ninho feito — conta o sócio-diretor da instituição, Thiago Lopes.

Apesar de ter ficado apenas alguns dias e depois ter sido devolvida para o seu habitat natural, a tartaruga mãe cativou o grupo. O afeto foi tanto que eles decidiram apelidá-la de Tatá. E para os 12 filhotes há um plano um pouco mais elaborado:

— Ah! A gente quer fazer um batizado, né? Vamos fazer foto e tudo para poder comparar, caso algum volte para colocar os ovinhos. Acho até que vamos colocar o nome deles como o de cada um (dos velhinhos) daqui — comenta, animada, a técnica de enfermagem, Elvira Otero de Oliveira.

Veja também:
Com horário estendido, atendimentos devem aumentar em 50% no Centro de Saúde Modelo
Projeto distribui livros em paradas de ônibus da Lomba do Pinheiro
Moradores reclamam de bueiro entupido no bairro Petrópolis

Nascimento acompanhado sob grande expectativa

Um cercado feito por Diosmar Olivera, caseiro do Vivências do Sul, protegeu o ninho por cerca de três meses. A espera foi longa e as expectativas eram altas. Alguns até chegaram a pensar que dali não sairia nada. Mas quando a dúzia minúscula de tartarugas começou a surgir, foi festa garantida.

— Nunca tinha visto algo assim. Quando falaram que elas estavam nascendo, larguei tudo para ver. Foi encantador — conta, emocionada, Zilá Gonçalves Rodrigues, 90 anos, que já incluiu em sua rotina diária um bate-papo com os filhotes. Ela ainda assumiu o papel de dinda das tartaruguinhas, mas "só nas horas boas", como gosta de dizer.

Para Livia Zimmermann, 54 anos, que passa os dias no centro desde o início de 2017, o episódio inusitado tem um significado diferente:

— A tartaruga representa a longevidade, aqui é um centro de idosos, ao lado tem uma casa para idosos. Então, é uma junção de coincidências e acasos bacana.

De acordo com o biólogo Clóvis Bujes, todas as tartarugas têm o padrão de sair da água para colocarem os ovos em terra firme. Algumas vezes, elas caminham durante dias até achar o local ideal.

Após depositarem os ovos — que são chocados por meio das condições climáticas —, os animais retornam ao seu habitat natural e não voltam para ver os filhotes. Quando nascem, eles também vão para a água.

As tartarugas costumam só sair dos rios, oceanos e mares por dois motivos: para encontrar nutrientes, quando necessário, ou para dar sequência ao ciclo da vida.

*Colaborou Carolina Cattaneo

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.