Centro Histórico

Grupo faz ato de apoio em frente a prédio ocupado pela Lanceiros Negros em Porto Alegre

Construção, na Rua dos Andradas, era sede do Hotel Açores

Por: Jéssica Rebeca Weber
04/07/2017 - 20h17min | Atualizada em 04/07/2017 - 22h20min
Grupo faz ato de apoio em frente a prédio ocupado pela Lanceiros Negros em Porto Alegre Carlos Macedo/Agencia RBS
Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS  

Um grupo de pessoas fez, no início da noite desta terça-feira, um ato de apoio em frente a um prédio na Rua dos Andradas — desde a madrugada, a construção no centro de Porto Alegre serve de abrigo para integrantes da Ocupação Lanceiros Negros. Na calçada, lideranças de movimentos sociais e integrantes de partidos políticos fizeram discursos. Dentro do prédio, ocupantes gritavam: "ocupar e resistir". A vigília deve se estender nesta quarta-feira.

Retirados de um prédio na esquina das ruas Andrade Neves e General Câmara no mês passado, após decisão judicial, os integrantes do movimento chegaram de ônibus ainda na madrugada ao endereço, próximo à Praça da Alfândega. Depois de entrarem no prédio, fecharam a grade de acesso com três correntes e cadeados. Faixas e cartazes com o nome Lanceiros Negros escrito e com referências ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ao qual a ocupação é ligada, foram pendurados nas janelas e na fachada, transformando o espaço em uma atração. Alguns motoristas quase paravam o carro para ver a movimentação.

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FOTOS: Apoiadores fazem vigília em frente a prédio ocupado no Centro

Muita gente foi até o local para entregar doações através das grades. A aposentada Marisa Machado, 63 anos, deixou uma sacola de supermercado com alimentos.

— Eu apoio, tem que ocupar. Muita gente não tem condições de pagar uma prestação (de casa própria) — diz.

Assim como teve morador incentivando, teve gente torcendo o nariz. Uma aposentada que mora há mais de 40 anos na região relatou que foi alertada para não passar pelo local em um grupo de WhatsApp — os vizinhos temiam um confronto. Ela também não acha justo ocupar um imóvel particular.

A reintegração de posse do prédio na General Câmara com a Andrade Neves, pertencente ao Estado e localizado a cerca de 300 metros da construção invadida nesta terça-feira, ocorreu na noite de dia 14 de junho. A Brigada Militar utilizou gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bombas de efeito moral. Depois disso, parte das mulheres e crianças foi acolhida em outra ocupação, a Mirabal (na Duque de Caxias). Algumas pessoas ficaram nas casas de amigos e parentes, conforme informou o MLB. Para Lilian de Oliveira Luciano, 33 anos, moradora da ocupação, apesar de deixar marcas, a reintegração de posse deu "mais ânimo".

— Toda a coisa negativa traz algo positivo. A gente se sentiu um lixo, mas acordou e viu que é capaz de mais. E sentiu vontade de mostrar que o povo tem direitos, que a gente quer é moradia — conta a diarista, que reside com os filhos de 17, 15, cinco e três anos.

Coordenadora nacional do MLB, Nana Sanches afirma que o endereço da nova ocupação foi escolhido por se tratar "de mais um local abandonado":

— O objetivo do MLB é apontar exatamente os prédios vazios que não estão cumprindo função social.

O Hotel Açores ingressou na Justiça com um pedido de reintegração de posse — a ação foi distribuída para a 1ª Vara Cível do Foro Central e tem o MLB como réu. A proprietária do imóvel não quis conceder entrevista.

O Açores é um dos 12 hotéis que fecharam em Porto Alegre desde a Copa do Mundo de 2014. A lista foi relacionada em reportagem de ZH na semana passada, mostrando que a rede hoteleira da Capital passou de um entusiasmo pré-Mundial para a recessão que impacta os negócios.  

 
 
 
 
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