Em busca de troco

Por que os parquímetros de Porto Alegre não aceitam cartão?

Capital não permite usar cartão ou smartphone na Área Azul, como fazem cidades como Caxias do Sul, Santa Maria e Gravataí

Por: Bruna Vargas
18/07/2017 - 11h54min | Atualizada em 18/07/2017 - 12h04min
Por que os parquímetros de Porto Alegre não aceitam cartão? Anderson Fetter/Agencia RBS
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS  

Enquanto em municípios como Caxias do Sul, Santa Maria e Gravataí já é possível pagar o estacionamento rotativo com cartões e até mesmo pelo celular, motoristas que estacionam na Área Azul de Porto Alegre precisam ter sempre à mão as velhas moedas.

E a falta de opções não deve mudar tão cedo. Um imbróglio judicial entre a primeira e a segunda colocadas na concorrência feita para gerir os estacionamentos rotativos na Capital emperra a implantação de equipamentos mais modernos.

— A licitação previa parquímetros que agregariam novas tecnologias. É uma pena, porque toda vez que é feita, uma empresa processa a outra. É um mercado muito competitivo. Fui buscar o histórico e vi que em outros anos foi a mesma coisa. Em 2002, chegou a ter 25 impugnações administrativas — lamentou o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Marcelo Soletti.

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A licitação realizada em novembro do ano passado previa que o novo gestor da Área Azul na Capital implantasse parquímetros mais modernos, com opção de pagamento por meio de cartões de débito e crédito. Depois de um ano, o vencedor teria de agregar novas tecnologias aos equipamentos, como pagamento via smartphone.

Após o processo, vencido pela Zona Azul Brasil Serviços Administrativos Eireli ME — a empresa opera em Gravataí, onde, em julho, tornou-se possível pagar o rotativo com cartões —, duas empresas concorrentes entraram com recurso pedindo que o resultado fosse reavaliado. A disputa judicial ainda está em curso, e, segundo a EPTC, não há previsão de resolução.

O entrave jurídico tornou remota a possibilidade de o serviço começar no prazo estimado, novembro deste ano. Diante do problema, o prefeito Nelson Marchezan solicitou à EPTC um estudo sobre alternativas.

De acordo com Soletti, a avaliação já foi concluída, mas deve passar por ajustes. O órgão trabalha com a possibilidade de uma solução mais rápida pela disputa judicial — no caso de se resolver nos próximos meses —, mas também há um plano B, que incluiria abrir uma nova licitação. Os dois cenários preveem inovações tecnológicas, como a disponibilização de outros serviços nos parquímetros e a ampliação do número de vagas — as atuais 4 mil poderiam passar para até 10 mil.

— O prefeito pediu para buscarmos o que há de mais moderno em termos de tecnologia. A ideia é ter uma Área Azul top — diz Soletti.

Desde 2013, a EPTC enfrenta problemas com as empresas que disputam a licitação para fazer a operação do serviço — apesar disso, o sistema continua funcionando, com a fiscalização realizada pelos agentes de trânsito da própria EPTC. Conforme o órgão, desrespeitar a Área Azul é infração grave: o motorista perde cinco pontos na carteira e tem que pagar multa de R$ 195,23, além da remoção do veículo. No ano passado, a EPTC aplicou 6.193 multas por esse tipo de infração.

Como funcionam os parquímetros além das moedas

Cartão de débito e crédito
— Permite a compra de tíquetes da Área Azul com cartões de débito e crédito nos parquímetros, além das moedas.
— Em alguns casos, motoristas também podem pagar o rotativo em pontos do comércio local, por SMS ou por meio de um aplicativo.
— O sistema funciona em Gravataí desde este mês.

Aplicativo para smartphone
— Permite o pagamento remoto via aplicativo para smartphone.
— O usuário baixa o app, realiza um cadastro e inclui a placa do veículo no sistema (é por meio dela que será feita a fiscalização).
— Os créditos podem ser comprados previamente ou na hora, com cartão de crédito ou boleto (há casos em que é possível comprar por SMS ou pelo telefone).
— O valor adquirido fica na nuvem e é descontado conforme o uso.
— Funciona assim em Florianópolis e São Paulo. No RS, Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Santa Maria também usam.

 
 
 
 
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