Política

Após saída de Janta, prefeitura de Porto Alegre terá grupo de trabalho para articular votações na Câmara

Além do novo líder, Moisés Barboza, grupo contará com dois vice-líderes

Por: Bruna Vargas
29/08/2017 - 19h10min | Atualizada em 29/08/2017 - 19h10min

Depois de comunicar pela imprensa a destituição de Clàudio Janta (SD) da liderança do governo na Câmara Municipal, na segunda-feira, a prefeitura de Porto Alegre deve anunciar nos próximos dias um grupo de trabalho que ficará responsável por articular a votação dos projetos do Executivo.

Vice-prefeito e secretário de Relações Institucionais, Gustavo Paim deve conversar com lideranças para montar a equipe que tentará negociar a aprovação de algumas propostas polêmicas enviadas pela prefeitura, como a revisão da tabela do IPTU. Além do novo líder, Moisés Barboza (PSDB), pelo menos dois vice-líderes serão integrados no grupo.

— Fui chamado pelo vice-prefeito e pelo prefeito ontem à noite. Querem que eu faça um trabalho de diálogo e construção com os pares, os vereadores da base e os independentes para a aprovação dos projetos que eles acreditam que vão desatar os nós que a cidade tem — avaliou Moisés. 

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Na visão do vereador tucano, a saída de Janta foi uma questão pontual, "fruto da liberdade democrática", uma vez que o ex-líder do governo sentiu-se à vontade para criticar projetos considerados importantes pelo Executivo, como o fim da segunda passagem gratuita — contra a qual, no domingo, Janta ingressou com uma ação na Justiça. Ele destaca que o foco do grupo de trabalho será "tirar dúvidas" dos vereadores sobre os projetos e "ouvir muito as sugestões de quem quer construir".

Angariar aliados para aprovar as pautas propostas pelo Executivo não deve ser tarefa fácil. A base aliada, que largou com 11 vereadores, agora conta com nove nomes — incluindo Janta. Dos parlamentares independentes, que compõem a maioria da Casa, nove assinaram, no começo do mês, um pedido de auditoria ao Ministério Público de Contas (MPC) sobre o decreto do prefeito que acabou com a gratuidade da segunda passagem de ônibus.

Para representantes da oposição, a mudança na liderança apenas serviu para expor a fragilidade da atual gestão. Segundo a líder da oposição, Fernanda Melchionna (PSOL), é importante aproveitar o momento para discutir e derrubar as propostas "que atacam direitos globais".

— É mais uma demonstração de fraqueza do governo Marchezan. Os projetos do governo são autoritários e privatistas, e achamos que esse é um momento muito importante para derrotá-los — disse a vereadora.

Parlamentares do bloco independente também acreditam que a mudança na liderança pode não ser suficiente para se chegar à aprovação dos projetos de Marchezan nos próximos meses. Na avaliação de Idenir Cecchim (PMDB), a falta de diálogo no período que antecedeu a entrega das propostas comprometeu a apreciação das medidas, e tende a emperrar a única que ainda teria possibilidade de entrar em vigor no próximo ano: a nova tabela do IPTU, que precisa ser aprovada até o fim setembro para vigorar em 2018. O texto será discutido em audiência pública no dia 14.

— O Janta é um líder sindical. A atitude dele (de entrar com a ação na Justiça), mais ou menos, até o prefeito devia estar esperando. O problema não é o líder, é a falta de comunicação entre o Legislativo e o Executivo, que não buscou saber como funciona, qual o rito, qual o tempo de maturação e discussão de uma pauta — avalia.

 
 
 
 
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