Mudança de planos

"Se nós deixarmos o projeto executivo pronto, já é uma grande coisa", diz secretário de Gestão sobre BRTs

José Alfredo Parode diz que projeto de ônibus rápidos não será abandonado, mas não há previsão para conclusão depois que recursos foram destinados a outras obras da Copa 

Por: Bruna Vargas
07/08/2017 - 15h57min | Atualizada em 07/08/2017 - 19h34min
"Se nós deixarmos o projeto executivo pronto, já é uma grande coisa", diz secretário de Gestão sobre BRTs Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS  

Anunciados em 2012 como uma solução para problemas de mobilidade em Porto Alegre, os ônibus rápidos dos BRTs agora devem ter parte dos recursos obtidos via PAC da Copa destinados a outras obras de mobilidade urbana.

Segundo o secretário de Gestão e Planejamento, José Alfredo Parode, a decisão foi tomada após a prefeitura estimar que o sistema deve exigir investimentos bem maiores, de R$ 1 bilhão. O orçamento inicial, de R$ 195 milhões, previa BRTs na Bento Gonçalves, João Pessoa e Protásio Alves. A intenção, agora, é adicionar a Avenida Assis Brasil e desenhar um plano maior, que prevê o transporte integrado de diferentes modais entre a Capital e a Região Metropolitana.

— Identificamos a necessidade de uma visão mais abrangente. Os BRTs são apenas uma parte, precisa funcionar numa lógica de integração — disse Parode na manhã desta segunda-feira.

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No entanto, ainda não há previsão para que os porto-alegrenses usufruam do sistema mais eficiente de deslocamento por ônibus. A elaboração de um projeto executivo está prevista no orçamento do ano que vem. Veja os principais trechos da entrevista:

No Portal da Transparência, o investimento previsto para a conclusão dos BRTs é de R$ 195 milhões. Como se chegou à estimativa de R$ 1 bilhão?
O contrato foi assinado em 2012 para as obras da Copa. Fizemos uma reavaliação do estudo preliminar que foi apresentado na Caixa, que envolveria as estações e terminais. E esse valor, ele era insuficiente.

O valor no Portal da Transparência incluía estações e terminais, não?
Na verdade, isso é uma estimativa. Para chegar ao valor exato, precisamos do projeto executivo. E não tinha. Existia uma reserva de valor, mas não um projeto executivo. Há a necessidade de um projeto integrado com toda a Região Metropolitana, incluindo, inclusive, os demais corredores, como a Assis Brasil, que não tinha. Então não é só para os três (corredores). É necessidade de todo sistema.

O que foi incluído na estimativa?
Incluía o que estava aqui e mais os corredores da Assis Brasil.

Esse novo valor é de todo o projeto de integração com a Região Metropolitana?
Isso. Com a integração viária e tarifária, com todos os modais de sistema de transporte. Porque não adianta fazer o corredor sem ter essa preocupação com a integração com a Região Metropolitana.

Como isso será feito?
Estamos em tratativas com a Metroplan, a EPTC e a União. E pela dimensão do projeto, sua complexidade e o valor, certamente, nós precisaremos buscar recursos através de Parcerias Público Privadas (PPP) para contemplar os terminais e as estações. Mas tudo isso é o projeto executivo que vai indicar.

Faz sentido utilizar o recurso do BRT, já garantido, para outros fins?
A verba não será utilizada para outros fins. Uma parte está sendo utilizada para os BRTs. Estamos apenas deslocando parte dos recursos. Vamos concluir a repavimentação (dos corredores) e fazer o monitoramento (eletrônico dos corredores). Agora, nós identificamos a necessidade de uma visão mais abrangente em relação ao sistema de transporte de Porto Alegre. Os BRTs são apenas uma parte: envolve o trem, envolve a questão do aproveitamento do rio. O BRT precisa funcionar numa lógica de integração, com linhas alimentadoras.

Então o BRT não existirá mais da forma que foi pensado em 2012?
Não dá pra dizer. O que vai determinar é o projeto executivo, que não tinha. Nós pretendemos contratar uma consultoria para elaborar isso, é um trabalho complexo. Esperamos que isso se defina até o final do ano. Esse projeto executivo custa na ordem de R$ 5 milhões e estamos incluindo no orçamento de 2018. Não quero iniciar nada que eu não tenha garantia de início e fim.

Como se chegou ao valor de R$ 1 bilhão?
O projeto executivo vai dizer.

Mas o que foi considerado na estimativa?
O que foi apresentado no projeto (anterior): estações, terminais, plataformas, entende?

Isso consta no Portal da Transparência. O que são os outros R$ 800 milhões?
É o projeto apresentado... Aquele projeto, da forma como foi apresentado...

A conta antiga subestimava o valor real?
Não foi feito projeto executivo, foi feito um estudo preliminar. Pra fazer uma coisa dessa dimensão, precisa do projeto executivo detalhado. E o projeto executivo não existe.

Então, como vocês chegaram ao valor de R$ 1 bilhão?
Em cima do que o estudo preliminar estava compondo. Com as estações e os terminais, incluindo a Assis Brasil.

O que desse valor corresponde à Assis Brasil?
Teremos todas essas informações, de forma detalhada, nos próximos dias.

Seria importante. De R$ 250 milhões para R$ 1 bilhão é muita diferença.
É uma estimativa preliminar... Não dá para afirmar que vai ser isso. É uma preliminar em cima do que foi apresentado. Tem a ideia da integração com a Região Metropolitana. O projeto básico é que vai definir. Além daquilo que está sendo feito, identificamos que o valor seria insuficiente — não em relação ao que foi apresentado, mas no sentido do que é necessário para a cidade.

O antigo projeto do BRT foi abandonado?
Não estamos falando nisso. Estamos trabalhando para aproveitar aquilo que já foi feito, trabalhando na lógica da solução estruturante e de futuro.

E o novo, vai ser concluído até o fim do governo?
O projeto executivo é que vai dizer. Nós pretendemos avançar no que for possível. Mas se nós deixarmos o projeto executivo pronto, já é uma grande coisa. Mas pretendemos, senão der para terminar, iniciar. 

 
 
 
 
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