Porto Alegre

Moradores convivem com esgoto a céu aberto em rua do Boa Vista

Problema já perdura há mais de dois meses na Senador Annibal Di Primio Beck

Por: Jéssica Rebeca Weber
30/09/2015 - 21h28min

Algo não cheira bem na Rua Senador Annibal Di Primio Beck, perto da esquina com a Anita Garibaldi, no Bairro Boa Vista. Há mais de dois meses há esgoto a céu aberto brotando da calçada, formando uma poça acinzentada que interdita o portão de um morador, para então correr a quadra e ainda incomodar quem reside na Rua Frei Henrique Golland Trindade, antes de entrar em um bueiro.

Os moradores já se dizem fartos de pedir providências, e ressaltam que o problema é recorrente: em maio, o esgoto estava transbordando poucos metros acima, na frente de um prédio residencial.

— Naquela ocasião, o DEP (Departamento de Esgotos Pluviais) demorou, mas acabou consertando. Logo depois, começou o problema em frente à casa do lado. A vizinha reclama que em julho abriu o protocolo e até agora nada foi feito — conta a engenheira Sylvia Gonçalves Pedrozo, 58 anos.

— É um problema de saúde pública, pode trazer consequências bem graves à saúde — acrescenta.

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A moradora explica que, em teoria, o esgoto é pluvial, mas o mesmo é contaminado por ligações clandestinas de esgoto cloacal — o que justifica o odor forte.

— O cheiro é horrível, bem desagradável. Em dia que tem bastante sol parece que o cheiro sobe mais, e em dias de chuva sai muita água por ali. E é uma água suja, nojenta — conta a assistente de produção de marketing Fernanda Isabel Fernandes, 28 anos, que trabalha na rua.

Eberhard Greiner, 75 anos, projetista de máquinas especiais, não esconde a indignação:

— Já estiveram aí, botaram os cavaletes, terminaram de estragar a calçada e não consertaram nada. É uma vergonha, uma barbaridade. A gente não pode nem usar a calçada, tem que caminhar na rua.

Síndico do edifício ao lado, o engenheiro Fernando Bizarro, 59 anos, define o problema como "uma tortura". Conta que os moradores já pensaram em fazer o conserto, mas não se pode intervir em uma rede do município. Acredita que resíduos decorrentes das obras na trincheira da Anita possam estar gerando o transtorno — eles escoariam até o local, obstruindo e rompendo os canos de esgoto.

O DEP informou que, no local, houve o rompimento de uma rede pluvial onde passam cabos da Sulgás, Telefônica e GVT. O departamento diz ainda que solicitou vistorias conjuntas para a Sulgás e Telefônica e foi "prontamente atendido", e que o conserto ainda não foi iniciado em função de a GVT ter sido acionada pelo DEP através do número 10325 por duas vezes — sendo a primeira em 15 de setembro —, e a mesma não ter dado retorno sobre o pedido de vistoria. O departamento destaca que, assim que a GVT executar a vistoria, poderá iniciar o conserto.

Por meio de nota, a GVT afirmou que "a empresa mantém somente rede aérea no local, conforme padrão dos órgãos competentes, e que o cabeamento subterrâneo na região é apenas de acesso às estruturas prediais, sem ligação com a rede pluvial danificada".

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Foto: Jéssica Rebeca Weber

 
 
 
 
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