Arte ou meio de transporte?

Músico fabrica bicicletas de bambu em garagem no bairro Petrópolis

Klaus Volkmann fez mais de 60 quadros de bikes. Um cliente está começando projeto de volta ao mundo com a magrela de bambu 

Por: Jéssica Rebeca Weber
23/11/2016 - 16h07min | Atualizada em 23/11/2016 - 21h15min

Enquanto Klaus Volkmann, 31 anos, testa sua obra-prima nas ruas do bairro Petrópolis, pedestres param tentando entender do que se trata e motoristas buzinam repetidamente. Chamada carinhosamente de Kali, a bicicleta reclinada feita com bambu coletado na Colômbia já demandou um ano de trabalho.

— Alguns projetos que faço para o cliente mais antigo e exigente, que no caso sou eu, demoram bastante — admite, bem-humorado.

Com bambu até nos aros e roda de monociclo, Kali é certamente sua mais extravagante criação, mas não é filha única. À frente da Art Bike Bambu, onde assina como diretor e artesão, Klaus calcula que já fez mais de 60 quadros de bicicleta de bambu e fibras vegetais nos últimos oito anos. Vende os já prontos a R$ 2,4 mil, e os personalizados, a R$ 3,6 mil.

Klaus e a bike Kali, feita com bambus trazidos da Colômbia Foto: Jéssica Rebeca Weber / Agência RBS

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Klaus não tinha referências de trabalhos semelhantes quando começou a criar as bikes: teve a ideia ao tropeçar na planta no sítio da tia de uma ex-namorada e uniu as paixões pelo ciclismo e pela natureza. Ele administra o tempo entre ensaios e consertos da Ospa, na qual é flautista desde os 18 anos, e as ferramentas em uma garagem da Rua Sacadura Cabral, com a ajuda do amigo Leandro Petry, 24 anos.

— A bicicleta de bambu é o que uso para me locomover e também é uma máquina de fazer amigos. As pessoas param, perguntam, elogiam. É uma forma de quebrar o gelo — conta Leandro.

Quadros custam a partir de R$ 2,4 mil Foto: Jéssica Rebeca Weber / Agência RBS

As bikes de bambu já acompanharam Klaus em aventuras por Chile, Bolívia, Peru e Cuba, e ele diz que já fez maratonas com elas. Há magrelas feitas por ele rodando do outro lado do oceano: na Espanha, na Alemanha, na Austrália e também na África, continente onde o ciclista Ricardo Martins começou um projeto para dar a volta ao mundo com a bike Dulcinéia.

Parece ser uma tendência dar nomes às bicicletas de bambu   — Klaus defende que elas são quase organismos vivos. Há dois anos, Victoria Campello, 27 anos, é dona da Anina Bambushka.

— O que gosto mais em ter uma bici de bambu é que ela mostra o quão forte é a natureza. A resistência e a flexibilidade de qualquer insumo natural hoje em dia são subjugadas, mas entendo a natureza como a mais complexa e alta tecnologia existente — destaca Vitória. 

Shiva foi a companheira do músico em viagem a Cuba Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

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