Turno integral

O debate da quantidade versus qualidade no ensino

Em série de matérias, ZH explica desde o plano nacional que estabelece o turno integral até a fórmula que as escolas gaúchas estão adotando

20/07/2014 - 06h01min
O debate da quantidade versus qualidade no ensino Lauro Alves/Agencia RBS
Escola Maria José Mabilde, na Ilha da Pintada, terá tempo integral com sua carga horária ampliada Foto: Lauro Alves / Agencia RBS  

Resultados estupendos em testes internacionais transformaram o sistema escolar da Finlândia em sinônimo de qualidade de ensino. Há um ano e meio, ZH foi a Helsinki conhecer o modelo e teve uma surpresa: a carga é uma das menores do planeta, superada inclusive pela brasileira, e os temas de casa são escassos. O exemplo finlandês levanta uma questão: o problema do Brasil é a quantidade de horas de aula ou a qualidade dessas horas?

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Não há consenso. Entidades como o Todos pela Educação, que defende a implantação do tempo integral, sustentam que ampliar horas é uma das políticas mais efetivas para melhorar o desempenho escolar.

— Há países de referência em que a carga é bem maior do que no Brasil. E a bibliografia mostra uma relação entre a jornada maior e desempenho — afirma Alejandra Meraz Velasco, gerente da área técnica do Todos pela Educação.

Ex-diretor de inovação e sustentabilidade do grupo Anima Educação, Eduardo Shimahara percorreu vários países em um projeto para conhecer modelos de escola. Ele diz não ser comum encontrar estabelecimentos em que as crianças passem o dia todo:

— Quantidade não quer dizer nada.  Uma educação com quatro horas, com dedicação ao aluno e boa relação om o professor faz muito mais diferença do que estender as horas.

Comparando as jornadas da escola brasileira com aquelas levantadas pela pesquisa mais conhecida sobre carga horária, realizada pela OCDE, observa-se que o Brasil está dentro da média do mundo desenvolvido — mas tem desempenho pior nas avaliações. Um outro estudo da OCDE talvez ajude a explicar o porquê: os professores brasileiros são os que gastam menos tempo dando aula durante as aulas.




 
 
 
 
 
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