Urbanismo

"Temos muitos empreendimentos que causaram danos irreversíveis", diz prefeito de Gramado

João Alfredo de Castilhos Bertolucci anunciou medidas para frear a especulação imobiliária

04/01/2017 - 17h37min | Atualizada em 04/01/2017 - 17h37min
"Temos muitos empreendimentos que causaram danos irreversíveis", diz prefeito de Gramado Carlos Borges/Divulgação
Prefeito Bertolucci (à direita) afirma que o desenvolvimento urbano da cidade serrana está desordenado Foto: Carlos Borges / Divulgação  

O prefeito João Alfredo de Castilhos Bertolucci (PDT), o Fedoca, anunciou nesta quarta-feira medidas para frear a especulação imobiliária em Gramado. Foi publicado um decreto que suspende a análise dos projetos em andamento e delimita novas regras para os que serão protocolados a partir de agora. O prefeito concedeu entrevista a ZH. Confira trechos da conversa.

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Qual foi a motivação do senhor para, em seu primeiro ato de governo, publicar este decreto?

É sabido que aqui em Gramado o desenvolvimento urbano está desordenado. O decreto tem duas finalidades: suspender por 60 dias o processamento dos projetos que tenham impacto ambiental e determinar o rito dos novos projetos e protocolos relativos a empreendimentos que tenham impacto ambiental. As secretarias de Planejamento e Meio Ambiente estavam trabalhando sem muita sintonia. Agora, a condição para chegar no Planejamento é a prévia licença de instalação do Meio Ambiente. Isso vai disciplinar este processamento. Com isso, a gente quer, se não sanar os problemas de Gramado, pelo menos evitar que esse crescimento desordenado atinja níveis que já estão próximos ao insuportável.

E com isso dar mais importância ao Meio Ambiente durante o processo?
Nós temos muitos empreendimentos que causaram danos irreversíveis em Gramado. Eu não queria que Gramado fosse banalizada a ponto de perder o seu encanto. Nós temos duas características importantes na cidade, natureza e hospitalidade. Nenhuma delas pode ser vilipendiada.

De que forma o senhor avalia que elas vinham sendo vilipendiadas?
Não bastassem os problemas de natureza ambiental, ligados à sustentabilidade da cidade, nós temos, visível na nossa cidade, o problema do trânsito. Gramado fez muito prédio em local inadequado, e agora a cidade não consegue se mexer.

Sem essas mudanças, qual é o destino de Gramado?
Virar uma cidade comum.

Essa suspensão não pode fazer Gramado parar?
Não, a cidade não vai parar por causa disso. Não se está cancelando nem obstruindo nenhum investimento. O que está se dando é um compasso de espera a esta invencível demanda de empreendimentos com impacto ambiental.

Na sua avaliação, qual é a gravidade da situação?
Nós estamos próximos do caos. Este chega pra lá, este alto lá, não tem caráter definitivo. Todavia, serve para chamar a atenção para o grande questionamento: o que nós queremos fazer com a nossa cidade?

Gramado está crescendo mais do que a cidade pode suportar?
Não há planejamento urbano, todavia há autorização para empreendimentos urbanos. Isso remete ao problema que vivemos. Não temos esgotamento sanitário para tudo isso, não temos vias de trânsito para tudo isso e não temos uma infraestrutura para albergar tantos projetos que tenham essa indiscriminada potencialidade de afetação da natureza e de desassossego para gramadenses e turistas. Gramado sempre foi uma cidade bucólica, onde o turista se sente bem, porque aqui se caminhava bem, se circulava bem, se tinha segurança. E Gramado está perdendo isso.

O plano diretor atual da cidade é problemático?
O nosso plano diretor sofreu muitas emendas e se transformou numa espécie de mosaico inorgânico e desordenado. Nós temos que recolocar nosso planejamento urbano nos trilhos. Eu já estou com equipes trabalhando para nos auxiliar a devolver para Gramado aquele centro de turismo bucólico. 

 
 
 
 
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