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Depois da tentativa de asfaltar um trecho de areia, em Capão da Canoa, outra obra de pavimentação vem despertando polêmica no Litoral Norte.
A colocação de restos de material de construção em um trecho do Parque da Guarita, em Torres, provocou revolta em ambientalistas e moradores pelo impacto da obra em uma zona de preservação. O material foi depositado ali sob a justificativa de facilitar o acesso de veículos operacionais ao local como viaturas de bombeiros, ambulâncias e coletores de resíduos. Após a repercussão negativa, a prefeitura prometeu desmanchar a nova via ao final do veraneio.
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– É chocante ver a falta de sensibilidade de quem implantou essa estrada, sinceramente, sem dúvida, desnecessária em pleno coração do Parque da Guarita (...). Cortar essa área, uma das mais nobres do Parque da Guarita, com uma estrada feita de caliça é simplesmente inadmissível. Estou estarrecida. Isso precisa ser revertido – declarou, em um vídeo postado em redes sociais, Lara Lutzenberger, filha do ambientalista José Lutzenberger e presidente da Fundação Gaia.
Em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã de quinta, Lara informou que teve uma audiência com a nova gestão da prefeitura e ouviu a promessa de que a estrada de caliça seria removida por completo no final deste veraneio. Para o ano seguinte, o plano seria reforçar um trecho de uma outra via já existente para permitir a passagem de veículos mais pesados.
– Temos de nos manter vigilantes para que tudo isso seja efetivado – afirmou Lara.
A prefeitura de Torres emitiu uma nota oficial sobre o episódio dizendo que houve uma “intervenção emergencial” no acesso para garantir o tráfego de veículos até a praia. Informa, ainda, que a Secretaria do Meio Ambiente estaria trabalhando na "melhoria do acesso", procurando retirar o excesso de material depositado.
Zero Hora esteve no local no final da tarde de quarta-feira e ainda podiam ser observados restos de material de construção na área.
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Confira, na íntegra, a nota oficial da prefeitura:
O que aconteceu?
Houve uma intervenção emergencial no acesso operacional para garantir o tráfego de veículos até a praia, como bombeiros, ambulâncias e veículos de coleta de resíduos, pois um caminhão havia atolado no local em função das chuvas dos últimos dias. A medida foi necessária para evitar a paralisação de serviços básicos de limpeza (coleta de lixo e água servida dos quiosques) e, com isso, evitar crimes ambientais como o descarte irregular de resíduos na faixa de praia. Devido à urgência e às condições do clima, a intervenção não pode ser concluída no final de semana.
O acesso operacional se faz necessário para manter os serviços de limpeza na faixa de praia, preservando o Meio Ambiente e, sobretudo, para preservação da vida humana, garantindo a segurança dos banhistas com o acesso de veículos de salvamento.
O que a Prefeitura está fazendo em relação a isso?
A Secretaria do Meio Ambiente já está trabalhando na melhoria do acesso, retirando o excesso de material depositado e visando sua adequação. Reafirmamos nosso compromisso com a preservação do patrimônio natural de Torres e agradecemos à população pelo alerta, reconhecendo a importância do papel de cada um na fiscalização das ações da administração municipal, principalmente, em prol do Meio Ambiente.