
Na fofura dos seus quatro meses de idade, Vicente rola no colchonete e consegue ficar de bruços. A conquista de uma criança que antes chorava ao ficar de barriga para baixo veio depois de um mês de aulas de "ginástica" em um centro especializado em exercícios físicos e recreativos para bebês em Porto Alegre.
Os exercícios, é claro, não têm a ver com os praticados por adultos nas academias. São atividades simples para a gurizada de 0 a 4 anos, que os estimulam a se deslocar em direção a um brinquedo, acompanhar um móbile com os olhos, apoiar-se nos antebraços e se equilibrarem sobre uma bola - tudo com acompanhamento de um familiar e assistência de educadores físicos.
É preciso atenção, no entanto, às fases do desenvolvimento infantil. Pular etapas em nome do "meu filho fez primeiro" é um perigo.
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- A estimulação das capacidades motoras é positiva, desde que esteja dentro do recomendado para a idade do bebê. Se ele for submetido a uma atividade para a qual seu aparelho neurológico não está preparado, corre-se o risco de comprometer o desenvolvimento de outras áreas, como a fala - diz a psicopedagoga Karen Saccheto, especialista em Distúrbios da Aprendizagem.
Portanto, não adianta colocar um nenê de quatro meses a se locomover com um andador: nesta idade, ele ainda não se apoia bem na planta dos pés. De acordo com Lucas da Silva, fisioterapeuta e diretor do centro BabyGym, na Capital, as experiências devem ser vividas livremente, sem obrigações. Os principais benefícios, além do desenvolvimento motor e sócio afetivo, seriam o aumento da qualidade do sono, a diminuição das cólicas e a prevenção contra doenças futuras, como obesidade e hipertensão. O custo no estabelecimento de Silva, por aula, é de R$ 60,00.
- Em vez de levar meu filho aos brinquedos dos shopping, levo a essas aulas. É incrível como ele está mais atinado, já ensaiando caminhar - comemora Taís Cordeiro, mãe em tempo integral de Enrico, 11 meses.
A iniciativa é louvada pelo médico Tadeu Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pediatria, por combater o que ele considera o grande problema do mundo contemporâneo: o sedentarismo:
- Infelizmente, as nossas crianças têm sido incentivadas a ficar quietinhas, no sofá, vendo televisão, hipnotizadas.
Para evitar a inércia dos pequenos, a professora Carla Skilhan de Almeida, do curso de Fisioterapia da UFRGS, indica uma solução que tem em qualquer casa:
- Chão. Um edredom e alguns brinquedos já os encoraja a se mover. Mas o acompanhamento de um profissional é importante, porque ele conhece as etapas de crescimento e, assim, pode direcionar os movimentos do bebê.
Exercícios também para os maiores
A partir dos três anos, as crianças já começam a formar suas valências físicas e montar seu repertório motor: correr, pular, saltar, escalar, rastejar. Exercícios físicos predominantemente aeróbicos ajudam a criança a gastar energia e melhorar a mobilidade. A socialização e o conhecimento do próprio corpo podem ajudar até mesmo no desempenho intelectual na escola, conforme o educador físico Daniel Pires, professor da modalidade Fitness Kids na academia BodyTech, também na capital gaúcha.
Os maiorzinhos se exercitam a partir de um circuito, cujos obstáculos aumentam de dificuldade à medida em que transcorre o tempo de aula (cerca de uma hora e meia). Pular pequenas cancelas, passar por baixo de cordas e saltar entre caminhas elásticas são formas de mantê-los ativos e cientes de que há vida além do computador.