Prevenção

Surto nacional de febre amarela alerta autoridades do Rio Grande do Sul

Do início de dezembro até ontem, foram confirmados 234 casos na região Sudeste, com 79 mortes. No Estado, não há registros desde 2009

13/02/2017 - 21h33min | Atualizada em 16/02/2017 - 12h20min
Surto nacional de febre amarela alerta autoridades do Rio Grande do Sul Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Segundo especialistas, pessoas que vivem, trabalham ou estão viajando para áreas de risco devem ser vacinadas Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS  

O maior surto de febre amarela desde que começaram os registros do Ministério da Saúde, há 37 anos, acendeu o alerta em secretarias da saúde de todo o país. Foram 79 mortes confirmadas desde o início de dezembro, com 1.214 casos notificados e 234 confirmados em cinco Estados — média de cinco novos pacientes e quase duas mortes por dia no país em janeiro. Mesmo sem registros de febre amarela desde 2009, o Rio Grande do Sul está em alerta devido ao grande número de casos suspeitos da doença no país.

Como a enfermidade não é contagiosa, ou seja, não há transmissão de pessoa para pessoa — somente pela picada de mosquitos infectados —, o risco não é de a doença se espalhar para o Sul, mas de algum paciente infectado viajar para outro Estado ou de uma pessoa contaminada em uma das áreas afetadas servir como "hospedeira" do vírus em uma nova região.

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Especialistas atentam para a importância de vacinar pessoas que vivem, trabalham ou estão viajando para áreas de risco. Os mais vulneráveis são residentes em zonas rurais e silvestres, especialmente aqueles que não se deslocam até as cidades para tomar a vacina.

— Estamos vacinando as populações mais expostas e orientando os médicos a notificarem casos suspeitos. O trabalho nunca para, mas está reforçado diante dos casos no Sudeste — diz Marilina Bercini, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) da Secretaria Estadual de Saúde.

Marilina lembra que o Rio Grande do Sul passou por situação semelhante à de alguns desses Estados há nove anos, quando registrou 21 casos da doença e nove mortes. Em 2017, o surto no país provocou uma corrida pela vacina: em Porto Alegre, o número de doses aplicadas em janeiro, conforme dados ainda parciais, aumentou oito vezes na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o Ministério da Saúde, não há necessidade de corrida aos postos de saúde, pois as doses são suficientes para atender às regiões com recomendação de vacinação.

No país, a maioria das mortes ocorreu em Minas Gerais, epicentro do surto, onde 69 pessoas morreram da doença, conforme boletim do Ministério da Saúde. Também na região Sudeste, o Espírito Santo — considerado fora da região de risco — registrou sete mortes por febre amarela, e São Paulo, três. Antes do surto atual, os 85 casos e 40 mortes registradas no ano 2000 lideravam os registros do governo. Em 2016, sete pessoas foram infectadas e cinco morreram.

Os casos confirmados até agora no Brasil são de febre amarela do tipo silvestre, transmitida para os humanos após uma epidemia em macacos — a transmissão do vírus se dá pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. A doença está nas regiões rurais, silvestres e de mata. Se já não estiverem imunizadas, pessoas que moram nesses locais ou vão viajar a algum lugar de risco devem ir a uma unidade de saúde e receber uma dose da vacina, distribuída de graça. A maioria dos infectados são homens com idades entre 40 e 60 anos que trabalham em áreas rurais, de acordo com um perfil elaborado pelo Ministério da Saúde.

Por enquanto, as secretarias de saúde dos Estados e o Ministério da Saúde dizem que não há registros da doença em zonas urbanas. Mas o que assusta os profissionais da saúde é justamente o risco de a doença "de ciclo urbano" voltar a ser registrada, saindo das áreas rurais, onde os doentes estão concentrados até agora, para chegar às cidades, e então ser transmitida para humanos pelo mosquito Aedes aegypti. Essa versão urbana não é detectada no país desde 1942, mas há o risco de reaparecer.

— Pode acontecer se não houver medidas de controle — diz o infectologista Claudio Stadnik, da Santa Casa de Misericórdia da Capital.

Segundo Stadnik, a doença urbana aconteceria se uma pessoa infectada em área rural viajasse a uma cidade e ali fosse também picada pelo Aedes aegypti (transmissor, ainda, da dengue, zika e chikungunya). O mosquito poderia transmitir a doença no centro urbano, provocando uma situação sanitária de difícil controle.

Já para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que bateu o recorde de produção de vacinas contra a febre amarela conta do surto, a doença será contida porque a chance de ela se propagar seria pequena. 


 






 
 
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