Um casal de lésbicas desistiu de participar do casamento coletivo marcado para 13 de setembro, no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Sentinela do Planalto, em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai.
A cerimônia, agora, terá a presença de somente um casal lésbico e de 28 casais heterossexuais.
Como surgiu a proposta para fazer o casamento gay em CTG
Juíza: "A ideia é garantir os direitos da minoria"
Na tarde desta quinta-feira, a diretora do Fórum de Livramento, juíza Carine Labres, confirmou que o casal avisou sobre a desistência. As mulheres estão constrangidas com a repercussão do caso e a reação violenta de parcela dos tradicionalistas, que não aceita a união coletiva e mista dentro de um CTG.
- Elas acham que pegaria mal para elas - disse a magistrada.
Foi a juíza Carine quem teve a ideia de realizar um casamento coletivo incluindo gays num CTG e durante a semana de comemorações pela Semana Farroupilha. A proposta foi aceita pelo patrão do CTG Sentinela do Planalto, Gilbert Gisler, o Xepa, que foi criticado por seus pares e chegou a ser ameaçado de morte, por meio de um telefonema anônimo, em 29 de julho.
A juíza Carine informou que o casamento coletivo está mantido. Entre os convidados, estão autoridades do Ministério Público e do governo estadual. Medidas de segurança deverão ser providenciadas.
É o segundo casamento coletivo feito em Livramento. No primeiro, em maio, que teve por palco o Poder Judiciário, pessoas do mesmo sexo também aderiram. Eles recebem aliança grátis e a oportunidade de oficializar uniões que já ocorrem de fato.