
Entre as principais categorias do Oscar 2016, as de interpretação feminina estão entre as mais polêmicas. E não apenas porque a inglesa Charlotte Rampling, indicada por 45 Anos, falou bobagem ao dizer que um eventual boicote de artistas negros seria "racismo contra pessoas brancas". Há controvérsias que dizem respeito às próprias indicações a melhor atriz ou atriz coadjuvante.
Alicia Vikander, de A Garota Dinamarquesa, e Rooney Mara, de Carol, têm os principais papéis femininos em seus filmes. Mas concorrem a atriz coadjuvante. Outra questão digna de debate: a indicação de Jennifer Lawrence. Atriz da hora em Hollywood há pelo menos dois anos, ela tem em Joy – O Nome do Sucesso uma de suas atuações menos interessantes. Vai ver os integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, compreensivelmente, apaixonaram-se todos por Jennifer em filmes como Inverno da Alma (2010), O Lado Bom da Vida (2012) e Trapaça (2013) – e a paixão, como sabemos, pode deixar a visão prejudicada.
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Rooney Mara foi eleita a melhor atriz no Festival de Cannes por Carol, embora o papel-título, no filme de Todd Haynes, caiba a Cate Blanchett – outra queridinha da Academia, justificadamente. Entre o magnetismo da Carol encarnada por Cate e a transformação da menina apaixonada por ela, interpretada por Rooney Mara, o Oscar deve passar longe dessa bela adaptação da obra de Patricia Highsmith.
A favorita absoluta à estatueta de melhor atriz é Brie Larson. Por O Quarto de Jack, a ex-estrela do Disney Channel ganhou todos os prêmios prévios – do Bafta ao Critics' Choice, do Globo de Ouro ao SAG Awards, entregue pelo Sindicato dos Atores de Hollywood. Só uma zebra tira o troféu de suas mãos – muito embora, quem viu o filme de Lenny Abrahamson sabe, é difícil ser mais cativante do que seu parceiro de cena, o ator-mirim Jacob Tremblay, incompreensivelmente esquecido pela Academia. Charlotte Rampling, que por 45 Anos levou o troféu do Festival de Berlim – e talvez tenha o grande desempenho feminino do ano –, deve seguir sem o mais cobiçado prêmio da indústria do cinema.
Entre as coadjuvantes, a preferida do público pode ser Jennifer Jason Leigh, de Os Oito Odiados. Mas é mais provável que a vencedora seja ou Kate Winslet, que por Steve Jobs ganhou o Bafta e o Globo de Ouro, ou Alicia Vikander, que levou o mais "fiel" dos prêmios prévios – o SAG Awards. Nos últimos 10 anos, a vencedora do SAG faturou também o Oscar em sete oportunidades na categoria melhor atriz e em oito na categoria atriz coadjuvante.
Em função disso, há chance de prêmio para Rachel McAdams, pois Spotlight, o longa pelo qual ela concorre, ganhou o troféu de melhor elenco no SAG Awards 2016. Para saber com certeza quais serão as eleitas da Academia, no entanto, é preciso esperar o domingo chegar.
AS INDICADAS AO OSCAR DE MELHOR ATRIZ
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Aos 26 anos, ficou conhecida como estrela das produções do Disney Channel na década passada. A partir de Anjos da Lei (2012) e Temporário 12 (2013), ganhou papéis de destaque em títulos adultos. Mas foi a mãe devota e insegura de O Quarto de Jack que a alçou à primeira indicação ao Oscar. É a favorita absoluta a ganhar a estatueta.
Cate Blanchett (Carol)
Vencedora de dois Oscar (por O Aviador, em 2005, e Blue Jasmine, em 2014) em um total de sete indicações, esta australiana de 46 anos é uma das atrizes mais admiradas de Hollywood. Do Bob Dylan de Não Estou Lá (2007) ao Galadriel da trilogia O Senhor dos Anéis (2001-03), ela atuou em dezenas de títulos bastante conhecidos desde os anos 1990.
Charlotte Rampling (45 Anos)
Com 70 anos, esta grande atriz britânica foi premiada no Festival de Berlim (em 2015, por 45 Anos), no Fantasporto (em 1988, por Mascara) e ganhou prêmios honorários no César (em 2001) e no European Film Awards (em 2015), entre outros festivais. Veja-a, também, em A Duquesa (2008), As Chaves de Casa (2004), Swimming Pool (2003), O Jardim das Cerejeiras (1999) e Memórias (1980), entre vários outros títulos.
Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
Desde que estourou com o independente Inverno da Alma (2010), acumula participações tanto em blockbusters (X-Men, desde 2011, e Jogos Vorazes, desde 2012) quanto em filmes mais empenhados, como Trapaça (2013). Tem 25 anos e quatro indicações, com um troféu conquistado – por O Lado Bom da Vida, em 2013.
Saoirse Ronan (Brooklin)
A pequena Briony de Desejo e Reparação (2007) cresceu. No caminho, destacou-se em Um Olhar do Paraíso (2009) e Hanna (2011), mas é este Brooklin o filme de sua maturidade como atriz. Um tanto precoce, visto que ela tem apenas 21 anos. Está na segunda indicação (a primeira foi por Desejo e Reparação).
AS INDICADAS AO OSCAR DE ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Tem 54 anos e está na primeira indicação. Atriz cultuada desde os anos 1980, fez No Coração da Noite (1988), Na Roda da Fortuna (1994), eXistenZ (1999) e Estrada para Perdição (2002).
Rooney Mara (Carol)
Já havia sido indicada antes por Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (2011). Tem 30 anos e, no currículo, filmes como Terapia de Risco (2013), entre outros.
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Esta é sua primeira indicação. Aos 37 anos, vive fase prolífica desde o início desta década, tendo atuado em séries como True Detective (2015) e filmes como Meia-Noite em Paris (2011).
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Uma das revelações de Hollywood nos últimos anos, foi vista em O Amante da Rainha (2012), Juventudes Roubadas (2014) e Ex-Machina: Instinto Artificial (2015). É sueca. Tem 27 anos.
Kate Winslet (Steve Jobs)
São sete indicações e um troféu ganho (por O Leitor) em uma carreira consolidada. Tem 40 anos. Pode ser vista também em Razão e Sensibilidade (1995), Titanic (1997) e Foi Apenas um Sonho (2008).