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As semelhanças e as diferenças entre o Inter de 2016 e os grandes clubes já rebaixados 

Em 18º do Brasileirão, Colorado corre risco de 62% de cair para a Série B

Por: Rodrigo Oliveira
20/09/2016 - 20h18min | Atualizada em 20/09/2016 - 20h28min
As semelhanças e as diferenças entre o Inter de 2016 e os grandes clubes já rebaixados  Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

A 12 rodadas do fim do Brasileirão, o Inter busca forças para sair da incômoda 18ª colocação e vencer a dramática luta contra o rebaixamento.

O Blog Gre-Nal contatou profissionais que acompanharam o rebaixamento de outros grandes clubes nos últimos anos para constatar quais as semelhanças (e as diferenças) entre as campanhas dessas equipes e a trajetória do Inter em 2016 até o momento.

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A mais semelhante é a do Corinthians de 2007, que também começou o Brasileiro daquele ano liderando a competição.

Por outro lado, há muitas diferenças entre os problemas do Inter atual e os erros cometidos por vários outros grandes que foram rebaixados no Brasileirão de pontos corridos.

Corinthians (2007)

Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Semelhanças:

- Teve um início muito bom no Brasileirão 2007 e foi líder nas quatro primeiras rodadas, o que acabou iludindo o público sobre a capacidade daquela equipe. O Inter também começou o Brasileirão 2016 muito bem, sendo também líder da competição na parte inicial.

- Houve em ambos os casos muitas trocas de treinadores com perfis muito diferentes. Carpegiani, José Augusto e Nelsinho Baptista foram os comandantes do Timão em 2007, assim como o Inter teve até então Argel, Falcão e Celso Roth.

- Houve também várias trocas no departamento de futebol ao longo do ano. Renato Duprat, Edvar Simões e Antoine Gebran foram os diretores de futebol corintianos em 2007. No Inter de 2016, Carlos Pellegrini, Pedro Affatato, o presidente Vitorio Piffero e agora Fernando Carvalho assumiram a pasta em momentos distintos de 2016.

- Assim como o Inter atual, o Corinthians também não teve registros de atos de indisciplina no elenco e de salários atrasados.

— As contratações não deram resultado. Jogadores como o zagueiro Zelão, o meia Arce e o atacante Clodoaldo chegaram de clubes menores e não tiveram bom desempenho, assim como vários atletas do Inter de 2016.

Diferenças:

- Um dos fatos que mais atrapalhou a campanha do Corinthians foi o fim da tumultuada parceria com a MSI, que acabou causando a debandada dos principais jogadores, como Tevez, Mascherano, Roger e Nilmar.

— O Corinthians teve um início muito bom em 2007, assim como o Inter em 2016. O time corintiano foi líder nas quatro primeiras rodadas e muita gente se enganou. Demorou para cair a ficha que o elenco não era bom — conta o repórter Rodrigo Vessoni, setorista do Corinthians do jornal Lance!, que cobriu a queda da equipe paulista e depois escreveu o livro "A Reconstrução do Timão", após o retorno à Primeira Divisão.

Palmeiras (2012)

Foto: Pedro Figueira / Photocamera

Semelhanças:

- Houve trocas de treinadores. Felipão foi demitido em setembro e foi substituído por Gílson Kleina.

- Ocorreram muitas contratações equivocadas de jogadores que estavam em clubes menores e que não deram resultado, como o zagueiro Román, o meia Mazinho e o atacante Betinho.

Diferenças:

- Antes da queda, o Palmeiras havia conquistado um título importante, a Copa do Brasil 2012, sob o comando de Felipão.

- Ao contrário do Inter, a direção palmeirense não teve mudanças em 2012. O presidente Arnaldo Tirone e o vice de futebol Roberto Frizzo conduziram o clube até o final.

- Houve atraso de salários no clube palmeirense naquela temporada.

— Vejo trajetórias semelhantes. Em primeiro lugar, por falta de planejamento dos dirigentes. O time do Palmeiras não era bom, assim como o do Internacional de hoje, que também trocou treinadores — analisa Jesse Nascimento, que foi setorista do Palmeiras pela Rádio Globo, em 2012.

Botafogo (2014)

Diferenças:

- Neste caso, a trajetória foi muito diferente da do Inter de 2016. A crise política era bem maior e a situação financeira do clube era terrível. Os atrasos salariais, por exemplo, ultrapassaram os nove meses. A crise atingiu o ápice quando os quatro principais líderes do grupo, que protestavam contra os atrasos e inclusive ajudavam financeiramente os mais jovens, foram afastados: o zagueiro Bolívar, os laterais Edílson e Júlio César e o atacante Emerson Sheik.

— A situação financeira era complicada. Os jogadores estavam há nove meses sem receber. Alguns atletas estavam voltando para a casa dos pais, por que não tinham condições pagar o aluguel — conta o então zagueiro Bolívar.

Vasco (2008, 2013 e 2015).

Foto: Rodolfo Buhrer, Lancepress

Semelhanças:

- Muita troca de técnico. Em 2008, Alfredo Sampaio, Antônio Lopes, Tita e Renato Portaluppi treinaram a equipe vascaína. Em 2013, passaram pelo clube Gaúcho, Paulo Autuori, Dorival Júnior e Adílson Batista. Já em 2015, foram três profissionais: Doriva, Celso Roth (atual técnico do Inter) e Jorginho, que segue até hoje.

Diferenças:

- A péssima situação financeira do clube e a turbulência política intensa formavam um quadro administrativo muito pior do que o atual cenário do Inter. As brigas políticas entre Eurico Miranda e Roberto Dinamite minaram o ambiente, aumentando os problemas do clube.

Atlético-MG (2005)

Semelhanças:

- Muitos técnicos no mesmo ano: Tite, Marco Aurélio e Lori Sandri.

Diferenças:

- Ao contrário do Inter, o Atlético-MG iniciou o Brasileirão 2005 com um número muito alto de veteranos, como Rodrigo Fabri, Fábio Baiano e Luis Mário. Por outro lado, na reta final, o clube afastou os medalhões e, repentinamente, em um momento de pressão, recorreu à garotada da base.

— A montagem do elenco do Atlético-MG foi equivocada, com vários medalhões. No final, os medalhões foram afastados e o atleta recorreu à base. Subiram nove jogadores, entre eles o goleiro Bruno, que hoje está preso. Além dele, estavam vários atletas que não vingaram no futebol .

Grêmio (2004)

Foto: José Doval / Agencia RBS

Semelhanças:

- Naquela época, o Grêmio também fez muitas trocas na comissão técnica e no departamento de futebol. Foram cinco treinadores em 2004: Adílson Batista, Nestor Simionatto, José Luis Plein, Cuca e Cláudio Duarte. No futebol, o comando começou com Saul Berdichevski e terminou com o ex-presidente Hélio Dourado.

- As contratações equivocadas fizeram com que o Grêmio rendesse muito menos do que o esperado.

Diferenças:

- O Grêmio de 2004 tinha problemas de grupo que não foram constatados no Inter de 2016 até o momento, como atrasos de salário e atos de indisciplina no elenco.

- A situação financeira do Grêmio naquela época era muito pior que a do Inter de hoje. Um dos motivos é que o clube gremista ainda se recuperava da mal-sucedida parceria com a ISL.

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