De Fora da Área

Regis Nestrovski: "Trump e o boxe"

Com longa vivência nos EUA, o jornalista Regis Nestrovski conta um pouco da proximidade do candidato republicano com o esporte

18/10/2016 - 06h02min | Atualizada em 18/10/2016 - 06h02min
Regis Nestrovski: "Trump e o boxe" Alex Wong/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP
Foto: Alex Wong / GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP

Donald John Trump, candidato do Partido Republicano na eleição à presidência dos Estados Unidos, que ocorrerá em três semanas, sempre teve uma ligação forte com o esporte, principalmente com o boxe.

Leia mais:
Sérgio Boaz: quando o técnico vira ídolo
Marcelo Medeiros Carvalho: "Sai relatório sobre racismo no futebol"  
Rafael Cechin: "Nossas direções estão erradas"

Entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, seus quatro cassinos em Atlantic City organizaram 33 lutas por títulos mundiais em aproximadamente três anos. Os quatro eram o Trump Plaza Cassino Hotel, o Trump Castle, o Trump Marina e o Trump Taj Mahal. Esse último, ao ser inaugurado, foi chamado de "oitava maravilha da Terra". Todos faliram, quando o empresário ignorou alertas da máfia para não se meter com jogos, um ramo de negócios que interessava a traficantes, a cafetões e a contrabandistas.

Mesmo assim, o empresário usa, até hoje, muitos dos termos do boxe em sua campanha como "contragolpear" e "1º round". Tive a oportunidade de ver Trump quando fui ao seu Hotel Plaza, em 1988, para a cobertura da entrevista coletiva de Don King, o eterno promotor de lutas de cabelos eriçados, que falaria sobre o combate entre Mike Tyson e Michael Spinks. Lá estava o empresário nos bastidores, apenas assistindo. Tyson, que nesta campanha apoia a candidatura do empresário, demoliu Spinks em 91 segundos. Depois, surrou, também nos cassinos de Trump, Larry Holmes e seu antigo amigo Carl Williams, luta que cobri em julho de 1989. Estive em Atlantic City algumas vezes para coberturas de boxe, e é fácil perceber a influência do republicano na cidade localizada a 160 quilômetros de Manhattan, onde mantém seu quartel general na Trump Tower, na 5ª Avenida com Rua 57.

No debate de 26 de setembro, o republicano foi acompanhado de Don King. Aliás, Trump chegou para o confronto com Hillary Clinton como se fosse um lutador peso-pesado preparado para entrar no ringue.

A eleição presidencial, marcada para 8 de novembro, deverá ser um clássico da política nova-iorquina. Dá para imaginar o locutor anunciando: " À nossa direita, o lutador de calção vermelho (republicanos) Donald Trump, nascido no bairro

nova-iorquino de Queens. Do outro, de azul (democratas), Hillary Clinton, ex-senadora por Nova York e que mora em Chappaqua, no condado de Westchester, na Grande Nova York".

A única questão é se o vencedor sairá por pontos ou por nocaute.

*ZH ESPORTES

 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.