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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi além da expectativa da maior parte dos analistas de mercado quanto ao ritmo do corte da taxa Selic. O colegiado informou no final da tarde desta quarta-feira a decisão de fazer uma redução de 0,75 ponto percentual no juro básico da economia, que agora cai para 13% ao ano. A decisão foi unânime. As apostas predominantes indicavam que o BC seria mais cauteloso e optaria por um corte de 0,50.
Após quatro anos, o ciclo de afrouxamento monetário iniciou nas últimas reuniões do ano passado, com duas diminuições de 0,25 ponto percentual.
No comunicado, o Copom mostra que levou em consideração a demora para o país sair da recessão. "O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente", informa a nota do BC.
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Os integrantes do colegiado observam ainda que os últimos números de inflação vieram melhores do que o esperado. " Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico", prossegue o comunicado. Outro ponto observado pelo BC é que o processo de encaminhamento das reformas fiscais tem sido positivo, até o momento.
A redução do juro tem o potencial de ajudar a estimular a retomada do consumo e o aumento dos investimentos, duas formas de fazer a economia voltar a crescer. Analistas financeiros ouvidos pelo BC para a publicação semanal do boletim Focus indicam que o PIB brasileiro caiu 3,49% no ano passado e, em 2017, deve subir 0,5%.
O maior espaço para cortar a Selic foi confirmado na manhã desta quarta-feira com a divulgação do IPCA – a inflação oficial do país – de dezembro e o fechamento de 2016. No ano, o índice ficou em 6,29%, abaixo do teto da meta do BC (6,5%) e aquém do esperado pelo mercado. Para 2017, a projeção que aparece no Focus indica 4,81% de alta. Em relação à Selic, a previsão atual é de que feche 2017 em 10,25%.