Alívio no juro

Copom corta Selic em 0,75 ponto percentual, para 13%

Decisão foi facilitada pela confirmação da inflação de 2016 abaixo do teto

11/01/2017 - 18h23min | Atualizada em 11/01/2017 - 21h20min
Copom corta Selic em 0,75 ponto percentual, para 13% Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ilan Goldfajn preside Banco Central, que agora acelera o corte no juro básico da economia Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil  

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi além da expectativa da maior parte dos analistas de mercado quanto ao ritmo do corte da taxa Selic. O colegiado informou no final da tarde desta quarta-feira a decisão de fazer uma redução de 0,75 ponto percentual no juro básico da economia, que agora cai para 13% ao ano. A decisão foi unânime. As apostas predominantes indicavam que o BC seria mais cauteloso e optaria por um corte de 0,50.

Após quatro anos, o ciclo de afrouxamento monetário iniciou nas últimas reuniões do ano passado, com duas diminuições de 0,25 ponto percentual.

No comunicado, o Copom mostra que levou em consideração a demora para o país sair da recessão. "O conjunto dos indicadores sugere atividade econômica aquém do esperado. A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica deve ser ainda mais demorada e gradual que a antecipada previamente", informa a nota do BC.

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Foto: arte ZH / RBS

Os integrantes do colegiado observam ainda que os últimos números de inflação vieram melhores do que o esperado. " Há evidências de que o processo de desinflação mais difundida tenha atingido também componentes mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico", prossegue o comunicado. Outro ponto observado pelo BC é que o processo de encaminhamento das reformas fiscais tem sido positivo, até o momento.

A redução do juro tem o potencial de ajudar a estimular a retomada do consumo e o aumento dos investimentos, duas formas de fazer a economia voltar a crescer. Analistas financeiros ouvidos pelo BC para a publicação semanal do boletim Focus indicam que o PIB brasileiro caiu 3,49% no ano passado e, em 2017, deve subir 0,5%.

O maior espaço para cortar a Selic foi confirmado na manhã desta quarta-feira com a divulgação do IPCA — a inflação oficial do país — de dezembro e o fechamento de 2016. No ano, o índice ficou em 6,29%, abaixo do teto da meta do BC (6,5%) e aquém do esperado pelo mercado. Para 2017, a projeção que aparece no Focus indica 4,81% de alta. Em relação à Selic, a previsão atual é de que feche 2017 em 10,25%.

 
 
 
 
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