
A nova fase da Lava-Jato atinge um grupo que teria movimentado ilicitamente R$ 50 milhões em contratos relacionados ao Ministério do Planejamento. A suspeita é que parte do dinheiro tenha sido desviado para campanhas do Partido dos Trabalhadores (PT).
O alvo do mandado de prisão é um advogado e ex-vereador do PT em Americana (SP) Alexandre Romano. Ele já foi detido e será levado à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, quartel-general da Lava-Jato. A participação dele seria no recebimento de valores por meio de empresas de fachada.
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Conforme a PF, ele é o operador de propinas para o PT que antecedeu o lobista Milton Pascowitch, delator da Lava-Jato. Cerca de 70 policiais federais cumpriram mandados decretados pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Um dos mandados de busca e apreensão atinge a empresa JD2 Consultoria, no Setor Hoteleiro, em Brasília. É a empresa de José Dirceu, ex-deputado federal do PT e ex-ministro da Casa Civil no primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva. Dirceu foi preso na 17ª fase da Lava-Jato - junto com ele, foi detido, também, Pablo Alejandro Kipersmit, dono da Consist, empresa de consultoria suspeita de pagar suborno a integrantes do PT.
A delação que levou à prisão de ambos foi feita por Milton Pascowitch, dono da empresa de consultoria Jamp, que afirma ter usado a Consist para intermediar pagamento de propina em obras. Pascowitch afirma ter feito contratos simulados entre a Jamp e a Consist. Ele também revelou que foi antecedido, nesse tipo de operação, por Romano.
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Delator pagará multa de R$ 70 milhões aos cofres da Petrobras Os contatos com a Consist se dariam com o presidente da empresa, Pablo Alejandro Kipersmit - que, por sua vez, é apontado como responsável por um contrato de fachada para repasse de dinheiro ao PT e ao ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto. Juntos, Pascowitch, Dirceu, Kipermist, Romano e Vaccari teriam movimentado cerca de R$ 50 milhões - e 20% desse valor seria em serviços inexistentes, de fachada, estima a Polícia Federal.
Kipermist foi solto na terça-feira. Vaccari e Dirceu continuam presos.
O PT tem dito que jamais recebeu dinheiro ilegal e que todas as contribuições recolhidas por Vaccari Neto foram declaradas à Justiça Eleitoral. José Dirceu também diz que os mais de R$ 39 milhões recebidos por seu escritórios são oriundos de consultorias efetivamente prestadas a empresas e a pessoas físicas.
* Zero Hora, com agências