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Polícia Federal

Saiba por que José Bumlai, amigo de Lula, foi preso pela Lava-Jato

Pecuarista foi detido em Brasília na 21ª fase da Lava-Jato, batizada de Operação Passe Livre

André Dusek / Estadão Conteúdo
Bumlai embarca no aeroporto de Brasília, no avião da Polícia Federal, rumo a Curitiba, para prestar esclarecimentos

Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba, o Ministério Público Federal (MPF) detalhou a prisão do empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo íntimo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi detido na 21ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Passe Livre. Bumlai é suspeito de lavagem de dinheiro e movimentação ilegal de recursos com uso de empresa de fachada, além de ter lucrado com tráfico de influência durante o governo do petista.

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De acordo com o MPF, o pecuarista teria utilizado contratos firmados na Petrobras para quitar empréstimos junto ao Banco Schahin. O principal empréstimo tem um valor de R$ 12 milhões. Além disso, ele teria recebido propina de um dos delatores da Lava-Jato. O nome de Bumlai apareceu em citações de Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobras, e do lobista Fernando Baiano.

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Na coletiva, o procurador Carlos Fernando de Santos Lima disse que o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, telefonou para o então presidente do banco para dizer que era responsável por empréstimo a Bumlai, segundo o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

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Foram analisados outros empréstimos, e os procuradores concluíram que o dinheiro era destinado para o PT. Em troca, as empresas do grupo Schahin conquistaram contratos de navio-sonda na Petrobras. Pelo menos uma dezena de outras movimentações, no valor de dezenas de milhões de reais, envolvendo pessoas físicas, teriam beneficiado agentes políticos e privados.

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- São métodos claros de dissimulação. Foram usados documentos falsos para a falsa aplicação de empréstimos. O caminho do dinheiro para o PT ainda está em investigação. Em 2004, o empréstimo teve participação direta do tesoureiro (Delúbio Soares) e telefonemas da Casa Civil (à época comandada por José Dirceu). Há clara vinculação política a esse empréstimo - relata o procurador Lima.

O procurador Diogo Castor de Mattos disse que as autoridades ainda investigam a legalidade das operações envolvendo a empresa São Fernando Açúcar e Álcool, de propriedade de Bumlai.

Operação Passe Livre

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça-feira mandado de prisão preventiva e prendeu o pecuarista José Carlos Bumlai. A prisão, feita num hotel em Brasília, foi ordenada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito da 21ª fase da Lava-Jato. Batizada de Operação Passe Livre, essa etapa cumpre 25 mandados de busca e apreensão, um de prisão preventiva e seis de condução coercitiva nos Estados de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.

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De acordo com a PF, as investigações apuram indícios de fraude em licitação para a contratação de navio sonda pela Petrobras. Os suspeitos teriam feito uma engenharia financeira para ocultar a real destinação de valores indevidos pagos a agentes públicos e diretores da estatal. São 140 policiais federais e 23 auditores fiscais envolvidos na apuração dos crimes.

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Bumlai iria depor nesta terça-feira na CPI do BNDES, no Congresso Nacional. Fernando Baiano declarou em colaboração premiada ter repassado R$ 2 milhões a Bumlai referente a uma comissão que o pecuarista teria direito por, supostamente, pedir a intermediação de Lula em uma negociação por um contrato.

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Baiano representava a empresa OSX, interessada em vencer licitação para construir navios-sonda para explorar petróleo na camada de pré-sal. Ele teria pago os R$ 2 milhões para Bumlai, para que ele intercedesse para agendar uma audiência com o ex-presidente da República, Lula, em 2011. A audiência ainda teria participação de João Carlos Ferraz, então presidente da Sete Brasil, uma das fornecedoras da Petrobras na exploração petrolífera. O negócio não foi adiante, mas Baiano afirma ter pago o dinheiro pela intermediação.

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Bumlai, em entrevistas, negou ter pago suborno, mas admitiu ter levado empresários do setor de petróleo para audiências com o ex-presidente Lula. Isso teria ocorrido em 2011.

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