Cena repetitiva

Com celas de delegacias lotadas, presos voltam a ficar em viaturas em Porto Alegre

Na manhã desta quarta-feira, seis viaturas e 10 policiais militares estavam parados em frente ao Palácio da Polícia

Por: Vanessa Kannenberg
26/10/2016 - 07h49min | Atualizada em 26/10/2016 - 12h54min
Com celas de delegacias lotadas, presos voltam a ficar em viaturas em Porto Alegre Ronaldo Bernardi / Agência RBS/Agência RBS
Presos são mantidos no porta-malas das viaturas Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS / Agência RBS  

Enquanto Porto Alegre vive uma crise na segurança, seis viaturas e cerca de 10 policiais militares amanheceram parados em frente ao Palácio da Polícia. Em vez de patrulhar ruas, às 7h, os PMs se revezam para custodiar foragidos, assaltantes e traficantes que, por falta de vagas em presídio e diante de superlotação nas celas das delegacias, passaram, pelo menos, a noite dentro de viaturas.

Um brigadiano que prefere não se identificar fazia a custódia de um foragido por roubo. O homem está desde as 13h de terça-feira no porta-malas da viatura. Quando o PM conversou com ZH, o criminoso custodiado estava há 18 horas sem comer.

— A gente compra água pra gente, com dinheiro do nosso bolso, e dá um pouco pra eles. Ele é vagabundo, mas também é um ser humano — disse o PM.

Foto: Ronaldo Bernardi, Agência RBS

Leia mais:
Com celas lotadas, delegacias de Porto Alegre têm novos presos em viaturas
RS atinge número recorde de presos e chega ao contingente de 34 mil detentos
Humberto Trezzi: Camburão, o novo presídio

A situação não é inusitada: começou há 10 dias na Capital. Na manhã desta quarta, pelo menos 19 presos estavam detidos em celas — mas na sexta-feira passada, o número chegou a 43. Embora tenha caído o total de presos, a situação vem piorando, segundo o delegados responsável pelas Delegacias de Polícia de Pronto Atendimento (DPPAs), Marco Antônio Souza. As delegacias começaram a ser depredadas.

— As celas são reforçadas, mas eles (presos) estão resignados, porque não é o local adequado. Acabam forçando as estruturas, porque estão aqui há muitos dias. Ontem (terça-feira) encaminhei dois que estavam desde o dia 17 aqui, mas há outros desde pelo menos desde o dia 18 — afirma Souza.

Na última sexta-feira, o diretor do Departamento de Execução Penal da Susepe, Ângelo Carneiro, afirmou, em entrevista à imprensa, que a intenção era solucionar a superlotação das delegacias da Região Metropolitana até o fim daquele dia. Ele anunciou que iria tentar abrir até 60 vagas em presídios, buscado acelerar, na Justiça, a liberação de alvarás de soltura e progressões de regime de outros presos. 

O delegado Souza diz que não tem controle das vagas liberadas, mas garante que a situação não foi normalizada conforme o prometido e que a situação pode piorar.

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.