Chacina

Três pessoas são executadas no bairro Santa Cecília, em Viamão

Crimes aconteceram na Rua Valter Faller, pouco antes da meia-noite

07/12/2016 - 03h50min | Atualizada em 07/12/2016 - 21h20min
Três pessoas são executadas no bairro Santa Cecília, em Viamão Marcelo Kervalt/Agencia RBS
Marcas da chacina ficaram na parede crivada de balas Foto: Marcelo Kervalt / Agencia RBS  

Por trás de cortinas e janelas entreabertas, os moradores da Rua Valter Faller, em Viamão, espiavam desconfiados a circulação de veículos e pessoas nesta quarta-feira. O medo, que há semanas se instaurou naquela região do bairro Santa Cecília em razão dos constantes tiroteios, se intensificou após uma chacina na noite anterior, quando três pessoas foram executadas em via pública a tiros de espingarda calibre 12, pistola 9mm e até fuzil. As vítimas estavam paradas em frente a uma lancheria quando pelo menos três homens em um veículo se aproximaram e abriram fogo, matando o trio na hora. 

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As marcas da chacina ficaram na parede crivada de balas. Pelo menos 30 buracos podem ser contados no concreto. Até ontem à noite, uma vítima não havia sido identificada. As outras duas são Thais Silva e Wilson Ricardo da Silva Farias, 18 anos, ambas sem antecedentes. Conforme relato de Flávia da Silva Oliver, 37 anos, mãe de Ricardo, o jovem tinha chegado da escola às 22h e ido na lancheria na frente de casa comprar um cachorro-quente. Por volta das 23h30min, ela ouviu os disparos. Ao correr para a rua, os criminosos já tinham fugido.

— Foi tudo muito rápido. Quando cheguei, meu filho já estava caído no chão, sem vida. Certamente estava no lugar errado, na hora errada, pois não tinha envolvimento com nada. Era um guri bom, honesto, alegre — contou.

Wilson Ricardo da Silva Farias, 18 anos, não tinha  antecedentes criminais Foto: Marcelo Kervalt / Agencia RBS

Flávia, que diz não conhecer as outras duas pessoas que também foram mortas, espera por Justiça.

— Quero que encontrem essas pessoas — complementou a dona de casa.

Matriculado na Educação de Jovens e Adultos (EJA), Ricardo estudava à noite e vendia cosméticos durante o dia. Era o mais velho dos cinco filhos de Flávia.

— Só quem é mãe sabe a dor que estou sentindo.

"Praça de guerra"

Quem mora na região relata tiroteios diários. 

— Está complicado aqui. Cada dia é um susto. Nem em noites quentes, como ontem (terça-feira), a gente pode sair para a rua — disse um homem que prefere não se identificar. 

Outro morador, que também pediu para ter a identidade preservada, garante que ouviu mais de 50 tiros.

— Nunca tinha visto algo assim — relatou. 

Conforme a delegada Larissa Fajardo, a rua estreita e de chão batido se tornou uma "praça de guerra".

— Não sabemos a quantidade de disparos, mas foram muitos e de diferentes calibres. 

A principal linha de investigação é de que eles tenham sido executados por vingança ao assassinato de um homem na Rua Cabixi, no Parque Índio Jari, também na terça-feira. Duas facções rivais estariam disputando pontos de tráfico de drogas.

— A região é conflagrada. Temos essa suspeita, mas não descartamos nada — afirmou.

Ainda segundo a delegada, uma Ecosport foi encontrada abandonada na Vila Jardim, em Viamão, ainda na madrugada desta quarta-feira. Ela suspeita que a camionete tenha sido utilizada pelos matadores, pois tem as mesmas características do veículo descrito por testemunhas que presenciaram a chacina.

Homicídio uma hora depois

Há 8km da chacina e com uma hora de diferença, um homem foi executado a tiros no início da madrugada desta quarta-feira. A vítima foi alvejada por oito disparos de calibre 9mm que atingiram diversas partes do corpo. O crime aconteceu à 0h30min na Rua Pão de Açúcar, no bairro São Thomé. A Polícia Civil investiga se há relação entre os dois casos. 

 
 
 
 
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