Violência

Família vítima de chacina em Porto Alegre não tinha antecedentes criminais

Cristiano Juver, 41 anos, Fernando Juver dos Santos, 31 anos, Marcelo Juver dos Santos, 34 anos, e Lucas Nascimento dos Santos, 18 anos, foram executados em via pública

12/01/2017 - 14h53min | Atualizada em 12/01/2017 - 16h03min
Família vítima de chacina em Porto Alegre não tinha antecedentes criminais Marcelo Kervalt / Agência RBS/Agência RBS
Em cima, Cristiano e Lucas. Embaixo, Marcelo e Fernando  Foto: Marcelo Kervalt / Agência RBS / Agência RBS  

Assustados com a quantidade de tiros na madrugada anterior, moradores do bairro Sarandi, em Porto Alegre, acordaram tentando entender o que motivou a primeira chacina da Capital neste ano. As vítimas, três irmãos e um primo deles, todos sem antecedentes criminais, foram retirados de casa e executados em via pública por quatro pessoas encapuzadas e vestindo roupas pretas, que se identificaram à família como sendo da polícia. 

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Era 1h30min desta quinta-feira quando o grupo invadiu a residência das vítimas, localizada na Rua Elias José Fermino, ao lado de uma igreja, as rendeu e caminhou com elas por 120 metros, até a esquina das ruas Pedro Moretto e Jackson de Figueiredo. Um morador que viu ação contou que Cristiano Juver, 41 anos, Fernando Juver dos Santos, 31 anos, Marcelo Juver dos Santos, 34 anos, e Lucas Nascimento dos Santos, 18 anos, foram obrigados a deitar no asfalto antes de serem mortos a sangue frio, com mais de 50 tiros, a maioria na cabeça, disparados de pistola, espingarda e fuzil. Na casa, estaria ainda a mãe dos três irmãos, duas crianças de colo, uma menina de sete anos e um adolescente. Todos ficaram ilesos.

Quem conhecia os rapazes, ou os "guris", como todos na rua se referiram às vítimas, garante que os criminosos erraram o alvo e mataram inocentes, que não tinham envolvimento com o tráfico de drogas.

— Aqui todo mundo se conhece. A gente sabe quem é do tráfico e quem não é. Os guris nem usuário de drogas eram — disse o torneiro mecânico Éder Flores, 27 anos. 

Morador da área, Flores disse que acordou com o barulho dos tiros e com os gritos de desespero da sua mãe, o questionando sobre o que estava acontecendo.

— Eu disse para ela se acalmar, que era por causa do tráfico de drogas. Daí eu acordo e vejo que não era. Morreu gente que não tem nada a ver com essas coisas. Gente trabalhadora. Poderia ser eu, poderia ser minha família — disse Flores, com lágrimas nos olhos.

Antes de abordar a família, os criminosos montaram barreiras nas vias que dão acesso à casa das vítimas, uma zona conflagrada pelo tráfico de drogas. Ao gritos de "é da polícia", chegaram chutando a porta da casa de uma idosa de 80 anos. Não conseguiram entrar e foram na casa da família Juver, onde utilizaram a mesma técnica.

Conforme a delegada Roberta Bertoldo, que está respondendo pela 3ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a apuração feita até  agora mostra que as vítimas não têm qualquer envolvimento com o tráfico de drogas.

— A família diz que foram mortos por engano. Claro que a gente não vai desconsiderar isso na investigação, mas da forma como as mortes foram arquitetadas, a probabilidade de ser engano é muito pequena — disse, explicando que a Polícia Civil ainda não tem suspeitos. 

 
 
 
 
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