Porto Alegre

"Fiquei preocupado, quantas pessoas são presas inocentes?", diz pai de jovem detido por engano 

Testemunha reconheceu jovem por foto, mas descartou quando o viu pessoalmente. Um segundo suspeito preso pela polícia confessou o crime

20/03/2017 - 14h51min | Atualizada em 20/03/2017 - 15h23min

Um estudante universitário de 22 anos foi preso por meio de mandado de prisão temporária na manhã de domingo pelo latrocínio (roubo com morte) do estudante Gabryel Machado Delgado, 20 anos. O crime aconteceu na noite de 14 de março no bairro São Geraldo, zona norte de Porto Alegre.

Porém, um segundo suspeito foi preso na manhã desta segunda-feira. Este, por sua vez, confessou o crime. Ambos os detidos seriam parecidos com um retrato falado divulgado pela Polícia Civil. A confusão fez o jovem universitário passar a noite na delegacia mesmo sendo inocente.

Um amigo de Gabryel que testemunhou o assalto foi chamado na manhã desta segunda-feira para reconhecer o autor do crime na delegacia. Ao se deparar com os dois rapazes, a testemunha apontou o segundo suspeito como autor - o mesmo que confessou o crime. Após o esclarecimento, o jovem universitário foi liberado. Ele ficou preso por um dia e uma manhã até que a dúvida fosse esclarecida.

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O pai do jovem conversou com a reportagem de ZH. Ele tomou um susto quando o filho foi preso, pois sabia onde ele estava na noite do assalto que vitimou Gabryel.

— Fiquei preocupado, quantas pessoas são presas inocentes? Eu sabia que não era ele (o autor do crime) porque eu estava com ele no posto de saúde naquela noite. Ele estava com uma infecção e ficamos bastante tempo lá. Além disso, conheço meu filho, eu o criei — desabafou.

O pai contou ainda que o filho conhecia Gabryel e que chegou a compartilhar uma mensagem nas redes sociais em solidariedade à família da vítima.

Prisão temporária permitiu prisão de universitário

Segundo o delegado regional de Porto Alegre Eduardo Hartz, num primeiro momento, a testemunha reconheceu o universitário como sendo o autor do crime por meio de uma foto. A partir do reconhecimento, um mandado de prisão temporária foi expedido pelo juiz de plantão na noite de sexta-feira.

O jovem foi preso em casa por volta de 6h da manhã de domingo. O nome dele teria sido apontado à Polícia Civil por meio de uma denúncia após divulgação do retrato falado.

Porém, na manhã desta segunda-feira, a testemunha do crime fez o reconhecimento pessoalmente. Foi quando se deu conta de que o real autor do crime era o segundo suspeito preso pela manhã e não o universitário que anteriormente havia reconhecido por foto.

— Está absolutamente descartada a participação dele (jovem universitário) neste crime — declarou o delegado regional. 

 
 
 
 
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