Operação Lava-Jato

Membros do Conselho de Ética defendem que Cunha faça delação premiada

Embora a prisão do peemedebista já fosse esperada há meses entre seus ex-colegas, preventiva surpreendeu o ex-relator do processo de cassação Marcos Rogério (DEM-RO)

Por: Estadão Conteúdo
19/10/2016 - 16h02min | Atualizada em 19/10/2016 - 16h02min
Membros do Conselho de Ética defendem que Cunha faça delação premiada Luis Macedo /  Câmara dos Deputados/ Câmara dos Deputados
Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados / Câmara dos Deputados

Com a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), membros do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados defenderam, nesta quarta-feira, que o peemedebista faça delação premiada para ajudar "a passar o país a limpo".

— Se ele tem algo a revelar, acho bom que o faça. É preciso tirar debaixo do tapete muita coisa que estava escondida. Acho que é um bom momento — disse o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), que foi relator do processo de cassação de Cunha.

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Embora a prisão já fosse esperada há meses entre os ex-colegas de Cunha, o fato do juiz Sergio Moro decretar sua prisão preventiva surpreendeu o ex-relator. Para Rogério, Cunha foi preso ou porque continuou cometendo crimes, ou pode ter ameaçado testemunhas, destruído provas ou dificultado o prosseguimento da ação penal. 

— A prisão cautelar é sempre uma exceção — ponderou. 

O deputado lembrou que, durante a fase de presidência da Câmara, Cunha obstruiu o andamento dos trabalhos no Conselho de Ética.

Rogério disse não ter dúvidas de que a instrução processual levará Cunha à condenação e que a punição no Parlamento já aconteceu com a cassação do mandato há um mês. 

— Agora é o Judiciário quem cumpre o seu papel — afirmou.

Arqui-inimigo político de Cunha, o também conselheiro Júlio Delgado (PSB-MG) disse que a prisão do ex-deputado pode comprometer o grupo político do qual Cunha fazia parte. 

— A prisão traz mais receio para quem conviveu com ele — destacou. Delgado defendeu que Cunha colabore com a Justiça e faça a delação não para reduzir sua pena, mas para contribuir com o país. 

— A delação é uma colaboração que ele dá para a sociedade — pregou.

Já o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), lamentou a prisão, mas disse que o ex-deputado procurou esse destino. 

— Essa prisão já era esperada — declarou. 

Quanto à possibilidade de delação premiada, Araújo sinalizou que também espera a contribuição de Cunha com as investigações. 

— Ele deve estar com tudo planejado. Vamos ver o que vai acontecer — disse.

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*Estadão Conteúdo

 
 
 
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