Sem acesso

Vereadora cadeirante sofre fratura ao tentar subir escada na Câmara de Guaíba

Obra para construir elevador no prédio, que não tem rampas para cadeirantes, está embargada desde 2010

Por: Zero Hora
19/01/2017 - 07h22min | Atualizada em 19/01/2017 - 12h57min
Vereadora cadeirante sofre fratura ao tentar subir escada na Câmara de Guaíba Paulo Benedetti/Arquivo pessoal
Foto: Paulo Benedetti / Arquivo pessoal  

Primeira vereadora cadeirante de Guaíba, Fernanda Garcia (PTB) sofreu uma fratura no fêmur após cair de uma máquina utilizada para subir a escadaria que leva aoseu gabinete na Câmara do município. O acidente aconteceu às 13h45min de quarta-feira, depois do almoço. Ela foi socorrida pelo Samu e levada ao Pronto Atendimento de Guaíba, onde foi examinada e submetida a um raio-x que constatou o osso quebrado.

Fernanda foi transferira ao Hospital de Pronto Socorro, em Porto Alegre, e passou por cirurgia durante a madrugada desta quinta-feira. Agora, serão aguardados laudos médicos para indicar quais procedimentos serão adotados. Familiares permanecem com a vereadora.

— Ontem (quarta-feira), já no início da escadaria, eu senti que tinha algo errado. (O carrinho) começou a empinar para a frente e foi muito rápido: não tive nem força nem habilidade para segurar a vereadora e o equipamento — lamenta o assessor da bancada do PTB, Paulo Benedetti. 

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Benedetti acredita que houve uma falha mecânica na hora do acidente. Como a Câmara de Vereadores de Guaíba não tem elevador ou rampa de acesso, a vereadora vem sendo carregada em um carrinho escalador desde que tomou posse, no dia 2 de janeiro, para conseguir chegar ao gabinete, que fica no segundo andar. 

O equipamento é acoplado à cadeira de rodas, permitindo que o cadeirante suba e desça escadas com a ajuda de outra pessoa, responsável por operar a máquina. O carrinho foi comprado por R$ 17,5 mil, em dezembro, pela gestão do então presidente da Casa, Jorge da Farmácia (DEM).

— A partir de agora, não confio mais (no equipamento) — afirma Benedetti. — O pai (da vereadora) disse que ela não vai usar mais porque a insegurança é total.


Presidente da Câmara promete tentar destravar obra de elevador

No início de outubro, Zero Hora contou a história de Fernanda, que precisaria ser carregada para poder trabalhar depois de eleita. Desde 2010, o projeto para a instalação de um elevador na Câmara está embargado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) por conta de uma irregularidade na contratação da empresa que faria a montagem do equipamento. Após o acidente, o novo presidente da Casa, Doutor Renan Pereira (PTB) afirma que terá uma reunião com o Ministério Público, na próxima terça-feira, para tentar destravar a obra. 

Caso a construção do elevador não seja liberada, Pereira abrirá um novo processo licitatório para fazer outra obra. Um arquiteto já trabalha na questão desde o início de janeiro, mas a previsão é de que a acessibilidade só seria entregue em, no mínimo, seis meses. 

— Quero que, quando ela voltar, já possa vir trabalhar com acessibilidade total e sem risco algum. Não tem mais como usar esse carrinho — diz Pereira.

Para facilitar a locomoção de Fernanda quando a vereadora voltar ao trabalho, o presidente da Câmara estuda duas alternativas de menor prazo: construir uma plataforma vertical, estimada em cerca de R$ 60 mil, ou fazer um elevador provisório, previsto em R$ 75 mil — a entrega ocorreria em até 70 dias. Nos dois casos, seria necessária a realização de licitação, já que a assessoria jurídica do Legislativo indicou que não é permitida a contratação emergencial de empresas para as obras.

— Se eu fosse presidente quando se fez a licitação, já teria feito esse elevador (provisório). Mas como eu não tinha a Presidência e ela recém estava usando o carrinho, não tinha como eu justificar ter um carrinho e mais um elevador —defende-se Pereira.

Ele destaca, ainda, que as obras são para atender à comunidade de Guaíba.

— Mesmo que não tivesse a vereadora, não tem como uma Câmara de Vereadores não ter acessibilidade — afirma o presidente, reconhecendo que outros cadeirantes também são restringidos pela falta de acesso à Casa.


 
 
 
 
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