Leilão do aeroporto

Por que o Salgado Filho, que era "patinho feio", virou cisne

Vitória da Fraport no leilão de concessão mostra que a economia do Estado tem potencial maior do que se supõe nesse momento de crise 

16/03/2017 - 13h46min | Atualizada em 16/03/2017 - 17h17min
Por que o Salgado Filho, que era "patinho feio", virou cisne ME/Portal da Copa / Divulgação/Divulgação
Foto: ME/Portal da Copa / Divulgação / Divulgação  

A disputa pelo aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, surpreendeu especialistas que previam baixa atratividade do terminal da capital gaúcha. Houve até algo que ninguém imaginava: o maior ágio – a Anac está revisando as contas que apontavam diferença superior a 800% –, resultado da disputa pela administração da estrutura que, apesar de estar em situação melhor do que alguns "concorrentes" no leilão desta manhã, também tem demandas mais desafiadoras, como a conclusão da rocambolesca ampliação da pista e outras melhorias. 

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Mais do que isso, a vitória da Fraport, empresa que administra o hub global de Frankfurt, berço da Lufthansa, e de Hannover, na Alemanha, e já conhece as especificidades da América Latina no aeroporto de Lima, no Peru, pode representar um ponto de inflexão em um Estado tão deprimido e com autoestima tão baixa. 

A grande questão de por que Porto Alegre, de "patinho feio" virou o cisne do leilão – foi a concessão mais disputada – é dada por Paulo Menzel, coordenador do Grupo de Logística da Agenda 2020:

– Para mim, o Salgado Filho continua sendo o 'patinho feio', tanto que tem prejuízo de R$ 13,3 bilhões ao ano com carga e passageiros somados. A questão é que o ponto se tornou estratégico para a Fraport, no meio do caminho entre Frankfurt e Lima, uma rota de carga pouco explorada. O foco da empresa é esse, carga. Existe movimento potencial aqui que, por falta de condições da pista, foi embora do Rio Grande do Sul.   

O prejuízo a que Menzel se refere leva em conta a carga que deixa de embarcar pelo Salgado Filho por conta da restrição da pista, mais a perda com o transporte de passageiros. 

Por mais que a realidade brasileira possa surpreender, a expertise da Fraport é inquestionável. A despeito do ceticismo, coube ao terminal gaúcho a mais reluzente das empresas que disputaram os quatro aeroportos brasileiros. A gestora de Frankfurt também levou Fortaleza, mas o tamanho do ágio que aceitou por Porto Alegre deve passar um recado: as finanças públicas podem estar falidas, mas a economia gaúcha não se resume aos cofres do Piratini e é suficientemente  atrativa para um grupo deste tamanho fazer uma aposta ousada no Estado.

Leia outras informações da coluna de Marta Sfredo

 
 
 
 
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