Em busca de um norte

Quarto Distrito espera há pelo menos 30 anos por uma revitalização

Berço do progresso da Capital, área dos bairros Floresta, Navegantes, Humaitá, Farrapos e São Geraldo lida com problemas recorrentes

15/11/2014 - 16h01min
Quarto Distrito espera há pelo menos 30 anos por uma revitalização Lauro Alves/Agencia RBS
Antiga fábrica de fogões da Wallig, projeto de Theo Wiederspahn, de 1921, é um retrato de como ficaram os armazéns industriais Foto: Lauro Alves / Agencia RBS  

Há pelo menos 30 anos o Quarto Distrito de Porto Alegre pede socorro. Após meio século de boom industrial, foi abandonado pelas fábricas, viu a degradação tomar conta de suas ruas e amargou o afastamento gradativo da vida urbana – agravado por alagamentos, insegurança e prostituição. Em meio a desacertos e desinteresse político, hoje iniciativas da sociedade civil tentam transformá-lo novamente em um espaço público vibrante.

Ao longo de décadas, a revitalização da região que compreende os bairros Floresta, Navegantes, São Geraldo, Humaitá e Farrapos aparece de forma recorrente em discussões do planejamento da prefeitura, no ambiente acadêmico, na especulação imobiliária, entre moradores ou entusiastas do patrimônio histórico. Que é uma área de grande potencial, pela proximidade com o Centro Histórico, oferta de acessos e de transporte público, todos concordam. Entretanto, as opiniões divergentes sobre o que e de que forma deve ser feito ali atravancam uma transformação.

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Urbanistas e arquitetos são unânimes: falta gente, vitalidade, troca e uso do espaço público naquele área de 892 hectares ao norte do coração da cidade.

– A área (entre as Avenidas Farrapos e Voluntários da Pátria) chegou a ser chamada de bairro-cidade, pois tinha o que se precisava para viver. Tudo mudou quando as pessoas saíram dali – explica a arquiteta e professora da PUCRS Leila Mattar, que tem pesquisas de mestrado e doutorado sobre a região.

A prefeitura planejou, demonstrou ter intenção de agir e iniciou obras de mobilidade. Mas ainda deve um plano urbanístico claro para o Quarto Distrito, cobram os presidentes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RS)
e do Instituto dos Arquitetos (IAB-RS) do Estado. 

– A partir do momento em que a prefeitura não apresenta um plano específico para a região, ela fica ao sabor dos interesses e precisa lidar caso a caso. Aí, às vezes, as obras são melhores para o investidor, às vezes melhores para a cidade – sustenta Roberto Py da Silveira, presidente do CAU-RS.

Para o presidente do IAB-RS, a falta de planos claros causa insegurança jurídica aos proprietários.

– Os investidores não sabem o que vai ocorrer naquela área. Assim, as grandes propriedades acabam funcionando como uma poupança da especulação imobiliária – avalia Tiago Holzmann da Silva.

Para ele, inciativas como a da prefeitura de São Paulo, que atualizou o plano diretor colocando mecanismos jurídicos no texto da lei para lidar com imóveis ociosos na região central, interessam, inclusive, aos grandes empresários da construção civil, que veriam nisso uma forma de organizar investimentos. A avaliação geral é de que há ideias para planejar o futuro dos seis bairros. Falta execução.



Os distritos

A divisão da cidade em cinco distritos ocorreu em 1892, assinada pelo então intendente Alfredo Augusto de Azevedo. O primeiro correspondia ao Centro. O terceiro e o quarto ficavam ao norte, e o segundo e o quinto, ao sul.

As fábricas se foram, ficaram os armazéns

O Quarto Distrito procura uma nova rota, já que nasceu de uma: o Caminho Novo – atual Rua Voluntários da Pátria. Neste traçado, Porto Alegre viu brotar potências fabris que a colocaram entre as três principais capitais do país. Por ali trilhou-se uma evolução construída a trem e embarcações. Meios de transporte hoje quase esquecidos, mas que foram fundamentais para o progresso da cidade.

Até a metade do século 20, a Voluntários ficava às margens do Guaíba. Logo depois, a área foi aterrada, na parte onde hoje passa a Avenida Castelo Branco. Os caminhões começavam a assumir o posto de principal meio de escoamento da produção, não havia espaço para as fábricas crescerem, e elas migraram para a
Região Metropolitana. 

O vazio passou a consolidar-se a partir da década de 1970. Foi quando o Executivo, numa tentativa de manter as indústrias, definiu, no plano diretor da cidade de 1979, que aquela área seria exclusivamente industrial, um erro clássico de outras cidades pelo mundo. Os moradores começaram a ir embora, os prédios das grandes fábricas ficaram ociosos e a situação caminhou para o cenário de hoje. Nova York lidou com o mesmo desafio e converteu grandes galpões em lofts residenciais, inicialmente ocupados por artistas, transformando bairros como Tribeca e Soho.

  

Prédio da fábrica de fogões Wallig - Foto: Lauro Alves



Mais tarde, em 1993, um plano promissor mexeu com os ânimos da capital gaúcha. A proposta do Porto Alegre Tecnópolis era recuperar a área com um grande projeto de inovação tecnológica, com empresas de eletroeletrônica e informática. Cerca de 12 anos depois, o projeto foi abandonado naquela parte do município – um dos resultados concretos foi o Tecnopuc, na PUCRS, anos depois, na zona leste. Problemas no tipo de solo (e sua vibração) seriam um dos principais motivos, segundo o arquiteto e supervisor de desenvolvimento urbano da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) Hermes Puricelli.

A esperança se foi, os problemas continuaram. Puricelli faz parte do grupo de trabalho do Quarto Distrito, que surgiu em 2006. Para o arquiteto, a construção do Conduto Álvaro Chaves interrompe um histórico de limitações.

– A partir disso, a iniciativa privada e a própria prefeitura puderam pensar o Quarto Distrito com outros olhos. Eu entendo por que se critica tanto o trabalho de planejamento, é um trabalho de formiga. A terceira perimetral, por exemplo, foi pensada 50 anos antes de sair – diz Puricelli.

O problema dos prédios ociosos

Reflexo de uma preocupação crescente com a situação do Quarto Distrito, em 2010 a região foi incluída via Lei Complementar no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental, aprovado em 1999. No texto, os bairros foram destacados nas estratégias do documento como “área de revitalização”.

Com a chegada da Arena do Grêmio, a prefeitura voltou seus investimentos para a estrutura viária, principalmente no Humaitá. Uma das poucas tentativas de lidar com o obstáculo do esvaziamento foi em parceria com a Procuradoria-geral do Município (PGM), em 2012. Embasada no artigo 1.276 do Código Civil, a PGM passou a identificar imóveis que não cumprem com a sua função social.

Mas, até aqui, apenas duas ações foram ajuizadas, nenhuma naquela área. Se caracterizado o abandono, o imóvel arrecadado judicialmente poderia hospedar serviços públicos, habitações sociais ou ser vendido. O Censo de 2010 do IBGE mostrou que havia 48 mil imóveis vagos na Capital. Em 2009, o diagnóstico do Setor Habitacional de Porto Alegre registrava um déficit de 38.572 moradias.

– Normalmente eu falo para um proprietário que ele tem de usar o imóvel, porque causa prejuizo, lixo etc, e ele reage como se fosse um absurdo. A sociedade ainda entende o direito de propriedade como algo absoluto – aponta Andrea Vizzoto, procuradora-geral adjunta de urbanismo, meio ambiente e regularização fundiária da PGM.

Berço de ideias no Shopping DC Navegantes

Em setembro, o Gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa) da prefeitura de Porto Alegre, em parceria com o IPA, inaugurou uma incubadora no DC Navegantes, projeto batizado de Tecendo Ideias. O objetivo é incentivar a economia criativa e o empreendedorismo. Por lá, a instalação de centros de ensino como o IPA e o Senai já gera maior circulação de pessoas.


Foto: Lauro Alves



Outra cara para o entorno da Igreja dos Navegantes

No ano passado, a prefeitura contratou uma consultoria para criar uma proposta de revitalização para a área da Igreja dos Navegantes. Além de projetar uma iluminação para a igreja e o prolongamento da Rua Dona Margarida, a intenção é criar uma passarela, que serviria também de mirante, para transpor a linha do trensurb em direção ao shopping DC Navegantes.

Também há a ideia de abrir uma via pública na antiga fábrica Guayba, atualmente fechada, e um túnel subterrâneo até a orla do Guaíba. Pouca gente sabe, mas há um parque estadual ali, atualmente cedido para a Brigada Militar Ambiental.



Imagem: Plural Consultoria, Divulgação

Nostalgia na Avenida Presidente Roosevelt

A Avenida Presidente Roosevelt, que já foi o grande centro de comércio e serviços do Quarto Distrito, permanece na era da decadência. De um modo geral, os comerciantes sonham com um tempo que não volta mais, quando a área pulsava e abrigava as grandes lojas da metade do século 20. Prédios de valor histórico e símbolos do bairro, como a Sociedade Gondoleiros, estão abandonados. 

Tocando uma das poucas lojas que sobreviveram todos esses anos está Wilma Lamp, 90 anos. Ela enche de energia a Coruja Colorida, um comércio de tecidos na esquina com a Avenida Brasil. Recorda com orgulho o tempo em que a Presidente Roosevelt abrigava um comércio pulsante e uma atmosfera que lembrava o centro da cidade. Chegou a pegar o tempo dos estivadores do porto, quando servia salame e bebida no bolicho que mantinha no sobrado onde é a loja atual.



Foto: Lauro Alves


– Essa avenida era bonita, as moças se arrumavam e desfilavam, faziam “footing”, paqueravam. No Carnaval era muita animação, isso aqui enchia de gente, uma beleza! Pena que o comércio enfraqueceu e hoje ninguém tem dinheiro para arrumar os prédios – lamenta Wilma, que mantém o sobrado impecável.

O renascimento da fábrica da Fiateci

Entre os principais tesouros arquitetônicos da época industrial do Quarto Distrito, o prédio da Companhia Fiação e Tecidos Porto-Alegrense (Fiateci) é um dos poucos que estão passando por grande transformação. Parte de seus armazéns foi derrubada para dar lugar a quatro torres de apartamentos e um espaço comercial, empreendimento da construtora Rossi. As casas dos seus operários, poucas quadras adiante na Avenida Polônia, foram revitalizadas e viraram uma espécie de centro comercial. Um prédio residencial foi erguido no mesmo terreno – obra da construtora Cádiz.

As alternativas para as edificações históricas dividem arquitetos. De um lado, os que não veem na simples densificação do bairro uma solução para torná-lo mais vivo. De outro, os que enxergam – incluíndo o Poder Executivo – um sopro de esperança, um primeiro passo para um futuro de renascimento. O fato é que os armazens da Fiateci vão se tranformar em um shopping e um supermercado, enquanto uma parte servirá de garagem.


Foto: Lauro Alves


Luciana Marson Fonseca, professora de urbanismo do UniRitter, que constantemente trabalha com os alunos projetos e diagnósticos para o Quarto Distrito, não vê uma única medida, como a densificação, por exemplo, como solução.

– Acreditamos na necessidade de uma cidade mais humana, segura, mista, com terrenos mais dinâmicos e menos cercamentos.

O palacete da antiga American Boite


A duplicação da Voluntários da Pátria está causando uma transformação perto da Rodoviária. Como a rua vai se dividir em duas pistas, alguns armazéns históricos de secos e molhados, hoje praticamente abandonados, ficarão ilhados. Dali, os produtos que chegavam do porto subiam para os bairros e viajavam pela ferrovia.

Outro prédio de reconhecido valor para a cidade é o da antiga American Boite – um pequeno palacete frequentado pela alta sociedade gaúcha na metade do século 20 –, em frente aos armazéns. Hoje, nos fundos do prédio, há uma lavagem de carros chamada Cascalho, mesmo nome usado pela boate que substituiu a American.


Foto: Lauro Alves


– Me contaram até que tem ouro enterrado no terreno, de algum frequentador da época. Volta e meia aparece alguém aqui dizendo que quer procurar – conta o responsável pela lavagem, Anibal Moraes, 54 anos.


A beleza da Rua Paraíba

Uma das ruas clássicas do Quarto Distrito, a Paraíba ostenta um túnel verde dos mais bonitos da cidade, mas é reflexo da degradação causada pelo acúmulo de lixo dos serviços de reciclagem da região. Também se tornou um ponto de prostituição e venda de drogas, segundo moradores. Um deles é José Carlos Tamujo, 66 anos. Ele vive em uma das casas construídas pela Viação Férrea do RS para os funcionários – entre os quais seu pai – e que foram tombadas pelo patrimônio histórico.

– Nasci e cresci aqui, vi as árvores ainda pequenas. Vivíamos apenas no bairro, não precisávamos ir ao centro comprar coisas. Hoje a região está largada. A prostituição aqui na frente, que começou há uns 10 anos, não incomoda, é o trabalho delas. O maior problema é a sujeira, que atrai bichos – conta.


Seu Tamujo e o que ele chama de "jardim suspenso da babilônia" - Foto: Lauro Alves



A comunidade dá o exemplo

Se há esperança no Quarto Distrito, ela está na economia criativa – opinião compartilhada pela sociedade e a prefeitura, que começa a criar planos nesse sentido. A região do bairro Floresta entre as avenidas Cristóvão Colombo e Farrapos está fervendo; e dá o exemplo de como o outro lado do distrito, o histórico, pode se recuperar: com convivência, cooperação, sinergia.

– Os governos criam e mantêm em condições os espaços públicos, mas é a sociedade que os transforma em verdadeiros “lugares”, no sentido de ambientes com memória, identidade, vocação. Sem essa sinergia, por melhor que seja a qualificação de um território, não haverá ainda a vida social que cria identidade – define Jorge Piqué, um dos criadores do Distrito Criativo, grupo que reúne 67 artistas e empreendedores.

A opinião de Piqué, que se tornou uma das referências do bairro ao lado de Carlos Silveira, proprietário do Porto Alegre Hostel Boutique e atual líder do Grupo de Apoio à Revitalização do Bairro Floresta (Refloresta), é compartilhada com a secretária do Gabinete de Inovação e Tecnologia, Deborah Pilla Villela. Segundo ela, além do Tecendo Ideias, no bairro Navegantes, o Executivo está fazendo um trabalho conjunto entre secretarias.

– Com a lei da inovação aprovada, queremos aproveitar as obras do Mundial, os movimentos de moradores, esse momento em que tudo converge para o bairro e, de fato, moldar a melhor maneira de revitalizá-lo. Isso envolve não só a infraestrutura, mas identificar a cultura e as vocações de cada parte da região – explica Deborah.

Uma das propostas é encontrar alternativas para áreas subutilizadas, que tenham infraestrutura de malha urbana, e a implementação de políticas habitacionais para a população de baixa renda. Outra é reduzir impostos para empreendedores de determinadas atividades a serem escolhidas.

 
Feira livre no Floresta -  Foto: Lauro Alves


Distrito Criativo: território de artistas

Um dos empreendedores que mais arriscaram no Quarto Distrito foi Carlos Silveira, proprietário do Porto Alegre Hostel Boutique. Chegou ainda em 2010, encontrou um imóvel com bom preço e ouviu dos amigos que só era barato porque a zona sempre foi perigosa e estava degradada. Mesmo assim, decidiu ir em frente e hoje colhe os frutos da aposta.

O hostel está sempre movimentado, e ele ainda ganhou o papel de concilidador e incentivador das atividades no bairro, na figura de líder do Refloresta. O simples fato de ter iluminado a rua, logo que abriu o empreendimento, rende elogios até hoje.


Foto: Lauro Alves


Algumas das vitórias da turma foram o Brechó Refloresta, autorizado pela prefeitura, aos sábados, e a feira livre, às terças. Iniciativas simples, que não envolvem muito investimento financeiro, mas que promovem a interação entre os moradores.

– Eu hospedei aqui mais de 20 mil pessoas em quase três anos. Sempre convido todos a conhecer o bairro e eles voltam encantados. E eu sinto que as pessoas de outros lugares já nos olham. Nas reuniões de bairro de outras regiões, todos estão dizendo que somos a bola da vez. Eu ainda acho que falta muita coisa, mas isso já dá uma satisfação muito grande.


Foto: Lauro Alves


Para ele, o mérito está centrado nas pessoas. De atmosfera artística, ele vê o Distrito Criativo como um grupo que sonha. E, por mais que todos estejam interessados no crescimento da região do ponto de vista humano, ele revela que, no fundo, todos também fazem isso para valorizar seus negócios e imóveis.

Um dos centros transformadores do Floresta é o Vila Flores. Projetado como lar de operários, em 1928, pelo arquiteto Joseph Lutzenberger, o complexo na esquina da Rua São Carlos com a Hoffmann está sendo restaurado para abrigar um centro de cultura e negócios. Atualmente, hospeda um grupo diverso, com arquitetos, artistas, produtores culturais, designers gráficos, entre outros, e já recebeu eventos e até peças de teatro.

– Há uma sobreposição de discursos aqui. Antes o bairro era conhecido apenas pela prostituição, pelo lado obscuro da sociedade, hoje também pela arte. É uma transposição de preconceitos grande. Mas a arte é um tempero. O que confere urbanidade são as pessoas usando o espaço público – define Lucas Piccoli, um dos arquitetos do Vila Flores.


Vila Flores -  Foto: Lauro Alves



Eventos deste domingo no Distrito Criativo

Rekombinando no Vila Flores
O que: festival inspirado na cultura surfe,
com bandas, filmes, oficinas, entre outros
Onde: Rua São Carlos, 759
Quanto: R$ 10
Horário: das 14h às 22h

1° festival da boa vizinhança
O que: a rua ficará fechada para shows e convivência entre vizinhos, que levam comida
Onde: Rua Comendador Azevedo
Horário: das 17h às 22h

Recepção do piano livre
Onde:
Porto Alegre Hostel Boutique, esquina das ruas São Carlos e Gaspar Martins
 Horário: das 17h às 22

Brechó de rua especial
Onde:
Rua São Carlos entre as ruas Gaspar Martins e Sete de Abril e Praça Florida
Horário: a partir das 15h

 
 
 
 
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