Tradição

Conheça a "guarda real" da Chama Crioula no Acampamento Farroupilha

De 7 a 20 de setembro, a centelha é vigiada 24 horas por dia por representantes dos piquetes no Parque da Harmonia. Eles não podem se mexer muito, nem falar ou rir 

Por: Jéssica Rebeca Weber
09/09/2016 - 16h44min | Atualizada em 09/09/2016 - 19h57min

Em pé e com uma lança na mão, eles não podem se mexer muito, tampouco falar ou rir. Ficam estrategicamente posicionados ao lado da pira de cores verde, vermelho e amarelo, transpirando seriedade. São como os guardas reais britânicos, só que em versão gaudéria.

Os guardiões da Chama Crioula são responsáveis por manter intacto o fogo que os tradicionalistas consideram a "alma" do Acampamento Farroupilha. Vigiam-na 24 horas por dia, desde o momento em que chega ao Parque da Harmonia, em 7 de setembro. A cada 55 minutos, uma dupla nova, representante de um dos piquetes, assume a posição. Os novos guardiões esticam o braço em direção ao fogo e enunciam o lema da Primeira Região Tradicionalista: "Pelo Rio Grande, Pelo Brasil".

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Nilson Galimberti, responsável pela chama dentro do Acampamento, lembra que o guardião precisa estar pilchado e sem chapéu. Cerca de 700 voluntários e voluntárias devem guardar a chama até o dia 20.

— É uma honra manter a tradição — diz o cozinheiro Ricardo Fontana Almeida, 31, que deixou até a muleta de lado para cumprir o ritual.

Clayson e Ricardo foram guardiões da chama pelo segundo ano  Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Ficando quase uma hora parados como estátua — sem poder mexer no celular, como observou, impressionado, o visitante Rafael Breda, 39 anos —, sobra-lhes um bom tempo para pensar na vida.

— A gente fica olhando as coisas que acontecem em volta, fica pensando no que ainda tem que fazer no trabalho... — conta Clayson da Silva Gatelli, 29 anos, que é advogado e conseguiu uma folguinha na agenda para vigiar a chama pelo segundo ano.

Os guardiões também acabam posando, involuntariamente, para um bocado de fotos. A empresária Priscila da Cunha Machado, 32 anos, fez um book do marido, Edison Luís, guardando a chama.

— Tomara que eles não deem risada — desejou Priscila quando se aproximava da prefeitura do Acampamento, onde o símbolo fica exposto.

A empresária fez questão de levar o filho para aprender um pouco sobre a cultura do Estado, e acabou revelando um aspirante a guardião.

— Eu nem sabia o que era, e minha mãe me respondeu que era tipo a tocha olímpica, só que na tradição do Rio Grande do Sul. Agora espero que, quando for maior, eu esteja ali, como meu padrasto está — disse Gabriel Machado Schneider, 10 anos.

Mantida a amor e óleo diesel

Por mais bairristas que sejam os frequentadores do Acampamento Farroupilha, não é só o amor pelo tradicionalismo que mantém acesa a Chama Crioula. De duas em duas horas, alguém da organização precisa despejar uma mistura de diesel e querosene para garantir que ela siga queimando. Até o dia 20, cerca de 40 litros do combustível devem ser utilizados. 

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

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