Crime

Incêndio pode ser intimidação ou queima de arquivo, avalia DEP

Órgão apura denúncia de pagamento por serviços não realizados em bueiros da Capital

17/10/2016 - 20h49min | Atualizada em 17/10/2016 - 20h52min

A direção do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), da prefeitura de Porto Alegre, considera duas hipóteses para o incêndio criminoso ocorrido na madrugada desta segunda-feira: intimidação a um procedimento interno de investigação ou tentativa de eliminar documentos. Ou ainda ambas as teses juntas.

O DEP é alvo de apuração de suspeitas de pagamentos por serviços não realizados ou superfaturados desde julho, quando ZH publicou série denunciando o esquema. A reportagem mostrou, principalmente, que a empresa JD Construções cobrava pela limpeza de bueiros que não existem nas ruas.

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A partir disso, o órgão, então conduzido por indicados de PP e PMDB, sofreu intervenção da Procuradoria-Geral do Município (PGM). Contratos e pagamentos a terceirizados foram revistos.

– Nada irá mudar. Não há chance de a investigação parar. A cidade e a população merecem isso – disse o diretor-geral do DEP, Renê José Machado de Souza.

O fogo provocado no departamento consumiu armários e documentos da procuradoria jurídica, setor que é um braço da PGM dentro do departamento. No local, ficam processos administrativos, de contratação e de licitações. Em razão do incêndio, o prédio administrativo, no bairro Cidade Baixa, ficou interditado ontem, sem luz, telefonia e internet. Mas a expectativa é de que já funcione normalmente ontem.

É possível que o autor (ou autores) do atentado nem tenha entrado no prédio. Conforme o levantamento de peritos, o acesso teria sido pelo telhado, que teve uma parte quebrada. Um galão com material combustível teria sido lançado sobre armários da procuradoria jurídica.

A Guarda Municipal foi alertada por volta das 4h30min sobre o fogo. Os bombeiros conseguiram conter as chamas.

O caso é investigado pela Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública e Ordem Tributária (Deat), a mesma que já apura suspeitas de pagamentos por serviços não realizados ou superfaturados no DEP a partir da reportagem de ZH.

Os delegados Daniel Mendelski e Max Ritter passaram a manhã de ontem fazendo levantamentos no departamento. À tarde, servidores começaram a prestar depoimento. A polícia também está analisando imagens de câmeras de segurança da região para tentar identificar participantes da ação criminosa.

O DEP abriu sindicância para apurar as circunstâncias do fato. Até o final da tarde de ontem, o órgão ainda não tinha o levantamento de documentos que foram danificados pelo fogo.

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