Desenvolvimento da cidade

Prefeitura de Porto Alegre quer usar revitalização do 4º Distrito como modelo para outros bairros

Projeto apresentado pela UFRGS deve ser mantido por Marchezan, que promete aplicar tecnologias e estudos em outras áreas

13/02/2017 - 03h00min | Atualizada em 13/02/2017 - 03h00min
Prefeitura de Porto Alegre quer usar revitalização do 4º Distrito como modelo para outros bairros Carlos Macedo/Agencia RBS
Há anos alvo de debates sobre revitalização, 4º Distrito tem plano para atrair investimentos Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS  

Se depender do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, a luta de empresários e moradores pela revitalização do chamado 4º Distrito — área de 594 hectares que abrange os bairros Floresta, São Geraldo, Navegantes, Humaitá e Farrapos — terá desfecho positivo. 

Por meio de sua assessoria, o Executivo municipal anunciou que manterá o Masterplan, projeto apresentado em dezembro pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ao então prefeito José Fortunati, e buscará utilizar as tecnologias e os estudos realizados na região para o desenvolvimento das demais áreas da cidade.

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Durante o segundo turno da eleição municipal, em outubro, os candidatos Marchezan e Sebastião Melo foram procurados pela Associação das Empresas dos Bairros Humaitá e Navegantes (AEHN), que apresentou a ambos um documento pelo qual deveriam comprometer-se com a implantação do Masterplan. Entretanto, apenas Melo — à época, vice-prefeito de Fortunati — assinou o termo de compromisso, o que deixou os empresários em estado de alerta.

— O Masterplan, até agora, é só papel. Precisa ser colocado em prática. Mas, para isso, é preciso o aval da prefeitura. Vai depender de conseguirmos mudar a cabeça do prefeito e do secretariado — projetou em meados de janeiro o novo presidente da AEHN, Luiz Carlos Camargo, executivo do grupo Galeazi-Martinox.

No fim de janeiro, porém, o secretário municipal de Relações Institucionais e Articulação Política, Kevin Krieger, recebeu integrantes da AEHN e confirmou a intenção de Marchezan de utilizar o projeto do 4º Distrito como modelo a ser implantado em outras regiões da Capital.

— O assunto foi mencionado pelos empresários, e a resposta foi a mesma do prefeito: projetos bons como o Masterplan terão continuidade no nosso governo — garantiu Krieger.

Elaborado pelo Núcleo de Tecnologias Urbanas da UFRGS, o Masterplan tem como objetivo dosar o uso do solo urbano visando à atração de investimentos privados em infraestrutura e empreendimentos nas áreas de tecnologia, saúde, conhecimento e indústria criativa, gerando emprego e renda. Além de criar novos espaços para habitação social (moradores com renda de até três salários mínimos), praças, parques, distritos de inovação tecnológica, universidades e instituições de ensino e pesquisa, o projeto visa à oferta de melhores condições para quem pretende morar ou trabalhar na região.

A ideia é replicar em Porto Alegre o projeto implantando na área Barcelona 22@, onde espaços verdes, centros culturais e prédios tecnológicos substituíram antigos galpões industriais abandonados da cidade espanhola. O resultado foi a criação de uma rejuvenescida região entre os bairros Sant Martí e Poblenou. Na capital gaúcha, a área priorizada pelo projeto situa-se no corredor entre as Avenidas Farrapos e Voluntários da Pátria.

Investimentos privados

Os investimentos seriam realizados por meio da chamada operação urbana consorciada, na qual um grupo de proprietários de imóveis une-se a investimentos privados, com a intermediação por parte do poder público, em uma espécie de Parceria Público-Privada (PPP). Ou seja, quando da implantação do Masterplan, caberá à prefeitura negociar com os proprietários de possíveis áreas a serem incorporadas, valorizando seus terrenos e bonificando-os com o aumento do potencial construtivo de suas propriedades.

O secretário adjunto de Urbanismo, José Luiz Fernandes Cogo, afirma que o Masterplan é uma nova maneira nova de pensar a cidade. O percentual estimado em adesões voluntárias e desapropriações — em menor parte — equivale a 25% da área total do 4º Distrito.

— Tradicionalmente, se analisa os planos diretores a partir de alguns parâmetros. Neste projeto, estamos pensando em quadras. A quadra, que parece ser uma questão complexa, é uma coisa mais harmônica para a cidade — avalia o secretário adjunto. — As desapropriações devem ocorrer. Até pelo fato de termos algumas quadras muito grandes, nós vamos ter algumas ruas centrais ali que talvez precisem de alguma desapropriação.


 
 
 
 
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