Patrimônio da cidade

Especialistas fazem avaliação no Laçador e encontram fissuras

Estudo pode anteceder uma proposta de revitalização da estátua

Por: Guilherme Justino e Jéssica Rebeca Weber
15/03/2017 - 05h02min | Atualizada em 15/03/2017 - 05h02min
Especialistas fazem avaliação no Laçador e encontram fissuras Robinson Estrásulas/Agencia RBS
Foto: Robinson Estrásulas / Agencia RBS  

Perto de entrar para a terceira idade, o Laçador passa por um checkup. Quem transitou pela Avenida dos Estados na segunda-feira ou terça à tarde pôde ver especialistas caminhando sobre três andares de andaimes para observar de perto cada detalhe da estátua de 4,45 metros de altura. O diagnóstico será apresentado em evento aberto ao público no dia 20, mas o grupo já localizou pequenas fissuras e diversas porosidades, principalmente, na parte inferior do monumento.

— Externamente, não encontramos nada que diga que é gravíssimo. Mas há coisas que têm de ser consideradas para evitar que o problema se agrave — diz a engenheira e consultora de preservação do patrimônio Virgínia Costa.

Leia mais:
Estátua do Laçador é cercada por andaimes antes de passar por inspeção

Conheça algumas relíquias perdidas de uma cidade que não existe mais
Programação da Virada Sustentável 2017 é apresentada em Porto Alegre

Junto a Virgínia, o especialista chamado para avaliar a estátua é o restaurador francês Antoine Amarger, que já trabalhou nos museus Louvre, Picasso, Matisse e Rodin. Eles lideram 15 profissionais de áreas como engenharia, arquitetura e restauração, selecionados para aprender como é feito o trabalho e, quem sabe, aplicar esses conhecimentos em outras obras pelo Brasil e mundo afora.

Até então, o ponto alto dos trabalhos foi uma pequena "cirurgia" para avaliar o interior do monumento. Junto ao tirador, na parte de trás da perna do gaúcho, foram usadas furadeira e serra para reabrir uma espécie de portinhola, resquício de alguma intervenção passada que não foi documentada. Os especialistas confirmaram que as pernas da estátua são preenchidas com cimento e constataram que há um pouco de água acumulada ao fundo — o que não é um bom sinal, por poder gerar corrosão, segundo Antoine Amarger.

O projeto de preservação do monumento é uma ação do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), em parceria com entidades civis e governamentais.

Recuperação só será feita depois, se preciso

A avaliação do estado de conservação da obra pode anteceder uma proposta de intervenção em prol da preservação do Laçador. Mas, por enquanto, nada de tirar a estátua do lugar ou revitalizá-la: os profissionais estão concentrados apenas em estudar a obra e em apontar os seus problemas.

— Em um segundo momento, se for preciso, vai ser feita a recuperação — afirmou o vice-presidente do Sinduscon, Zalmir Chwartzmann.

Os 15 profissionais que vieram de várias cidades do país para participar da análise, por meio de um ateliê-escola, ainda devem aprender sobre técnicas de restauro com amostras ao longo da semana. Os participantes estão acompanhando todos os procedimentos e capacitando-se para atuar em futuras intervenções de conservação de obras em metal, suprindo uma carência que, de acordo com os envolvidos, é nacional.

— É notável que faltam profissionais especializados em metais específicos. Eu estou achando incrível — diz Alice de Almeida Américo, chefe da seção de monumentos do Departamento de Patrimônio Histórico da cidade de São Paulo.

Criado pelo artista Antônio Caringi, o Laçador foi inaugurado em 20 de setembro de 1958. O tradicionalista Paixão Côrtes, um dos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), serviu de modelo ao monumento, que pesa 3,8 toneladas. É o "Cristo Redentor" do Rio Grande do Sul, como define José Francisco Alves, que é professor de escultura e está participando do ateliê-escola:

— É um símbolo não só de Porto Alegre, mas do Rio Grande.

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.