Anatomia da demora

Entenda por que a obra da Avenida Ceará segue parada cinco anos depois da licitação 

Há seis meses parado, projeto para a Copa de 2014 aguarda que a prefeitura faça empréstimo para quitar dívidas com construtoras

06/07/2017 - 11h38min | Atualizada em 06/07/2017 - 11h41min
Entenda por que a obra da Avenida Ceará segue parada cinco anos depois da licitação  André Ávila/Agencia RBS
Foto: André Ávila / Agencia RBS  

Recebendo com engarrafamentos os motoristas que chegam em Porto Alegre, a construção da Trincheira da Avenida Ceará está parada há seis meses e, cinco anos depois de licitada, não tem previsão para terminar.

Um das "obras da Copa", a trincheira é marcada por idas e vindas desde que foi planejada. A primeira vez que a prefeitura de Porto Alegre realizou licitação para realizar a construção, em abril de 2012, a empresa que venceu desistiu de realizar o serviço antes mesmo de começar. A segunda licitação foi realizada em outubro de 2012. A ordem de início das obras foi dada em dezembro do mesmo ano. O contrato previa que o serviço seria executado até junho de 2014. Os desvios no trânsito começaram em fevereiro de 2013 e duram até hoje.

Em abril daquele ano, durante a execução dos trabalhos do consórcio Farrapos, composto pelas empresas Conpasul; Sogel; e Toniolo, Busnello, o solo se mostrou instável. Havia risco de afetar as fundações dos prédios vizinhos. Com isso, foi identificado que, para realizar o serviço, as construtoras teriam que escavar mais de oito metros de profundidade.

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Além de garantir um reajustamento para a obra, a prefeitura prefeitura precisou pedir autorização da Infraero para poder usar uma máquina de 22 metros de altura, o que poderia atrapalhar as operações do Aeroporto Salgado Filho.

Em junho de 2014, com poucos avanços nas negociações, o serviço foi suspenso com 20% dos trabalhos realizados. Quatro meses depois, a prefeitura chegou a anunciar que teria que realizar uma nova licitação.

Porém, em novembro, o consórcio mudou de ideia e decidiu concluir a obra. A partir daí o ritmo de trabalho foi acelerado. Havia uma expectativa do então prefeito José Fortunati, de que a inauguração pudesse ocorrer antes do fim do seu mandato, em dezembro de 2016.

— Eu conversava com os responsáveis, eles estão jogando para o final do ano (2016) a obra toda completa e entregue à cidade. O meu desejo é de que, com a segurança adequada, com a responsabilidade adequada, eu quero sair da prefeitura com essa obra entregue à população — disse Fortunati em novembro de 2015, durante uma vistoria noturna na obra.

Porém, nos últimos meses do ano passado, a velocidade da obra foi reduzindo. As construtoras reclamavam que várias pendências financeiras se arrastavam há dois anos. Mesmo assim, os operários ainda realizaram a pavimentação no trecho da Avenida Farrapos e Fortunati chegou a anunciar que o trânsito seria liberado parcialmente na região.

Essa pavimentação apresentou defeito e o serviço precisa ser refeito. O problema é que as construtoras decidiram parar a obra por causa de uma dívida da prefeitura de R$ 2,17 milhões (R$ 2.172.952,64).

Como o prefeito Nelson Marchezan anunciou que pagamentos de anos anteriores estavam suspensos, essa quitação ainda não foi realizada. A dívida total com as empresas das  obras da Copa chegam a R$ 45 milhões.

Com os cofres raspados, a prefeitura encaminhou projeto pedindo autorização aos vereadores para captar R$ 120 milhões em financiamento para conclusão destas obras. A matéria foi aprovada em junho. Quando for sancionada, a prefeitura irá solicitar linha de crédito no Banrisul e Caixa Econômica Federal. Enquanto a verba não for liberada, quem entra ou sai de Porto Alegre por essa região continuará convivendo com os buracos dos desvios e os congestionamentos diários.

 
 
 
 
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