Educação

Matrículas de EJA estão suspensas em escolas municipais de Porto Alegre

Novas inscrições poderão ser realizadas no Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores Paulo Freire, no bairro Santana

Por: Bárbara Müller
20/07/2017 - 19h35min | Atualizada em 20/07/2017 - 21h24min
Matrículas de EJA estão suspensas em escolas municipais de Porto Alegre Reprodução/Divulgação
Foto: Reprodução / Divulgação  

As escolas municipais de Porto Alegre que têm Educação de Jovens e Adultos (EJA) no nível do Ensino Fundamental não estão conseguindo realizar a inscrição de novos alunos na modalidade para o próximo semestre. Secretários e diretores de instituições depararam com essa mensagem ao abrir o sistema de inscrições: "Enturmação em EJA não permitida". De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Smed), os estudantes que já estão matriculados nas 33 instituições permanecerão estudando nesses locais.  Novas matrículas estão sendo realizadas no Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores (Cmet) Paulo Freire (Rua Santa Terezinha, nº 572, bairro Santana). 

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Segundo Sinthia Mayer, coordenadora geral da Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa), as instituições foram informadas "da forma mais indelicada possível":

– As escolas estavam fazendo as matrículas agora, no recesso, e não conseguiam acessar o sistema. Aí, somente quando entram em contato com a Smed, é que são informadas. É um desrespeito com a comunidade, que vai até a escola e não consegue se matricular e com os professores que se preparam para essas turmas. 

Angelo Barbosa, diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint-Hilaire, na Lomba do Pinheiro, foi pego de surpresa: 

– Não tivemos nenhum comunicado oficial da Smed. É uma decisão desastrosa.Formamos muitos alunos na EJA todos os anos. É o recurso que a nossa comunidade tem. Nesse primeiro semestre, alguns alunos cancelaram a matrícula em razão de trabalho e pretendiam retornar em agosto, mas não vão conseguir porque não há como fazer matrícula aqui. 

A secretária adjunta da Smed, Ivana Genro Flores, explica que a medida foi tomada para avaliar quem e quantas são as pessoas que estão interessadas em cursar a EJA:

–  Estamos vendo quem são esses alunos, de onde eles são. Hoje, não sabemos qual é o número real de interessados. Então, estamos concentrando as matrículas no Paulo Freire para ver quais locais têm maior demanda – explica. 

Ivana justifica a escolha do Cmet – que tem 756 alunos na EJA – e garante que ninguém ficará sem vaga. De acordo com Ivana, algumas escolas tinham pouca procura, o que acabava desestimulando os alunos:

– (O Cmet) É um local de fácil acesso para quem vem de todas as regiões de Porto Alegre. É uma escola grande, com estrutura adequada. Pode até incentivar os alunos, ninguém gosta de ir para aula em uma sala praticamente vazia. 

A coordenadora da Atempa, porém, defende que concentrar todos os alunos em uma única escola não resolve:

– Não tem sentido pegar ônibus para ir até o Centro. São comunidades de periferia, que estudam à noite e vão para a escola no seu bairro. Não tem como uma escola dar conta da demanda da cidade toda, né? Se continuar assim, logo vai acabar a procura dessas pessoas pelo ensino. 

De acordo com a secretária adjunta, as escolas não terão ingressos de novos alunos, e as matrículas continuarão sendo realizadas no Paulo Freire por tempo indeterminado, a não ser que haja grande procura de pessoas da mesma região:

– Se 25 pessoas são da Lomba do Pinheiro, por exemplo, e lá residem e trabalham, vamos encaminhá-los para uma escola de lá. Mas, se não tiver procura suficiente para uma turma, os alunos matriculados estudarão no Paulo Freire – garante.


 
 
 
 
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